Mais um sonho de viagem realizado! Um roteiro de 24 dias completos na China, passando por cidades como Pequim, Shanghai, Chengdu, Chongqing, Yangshuo, além de vilarejos cênicos como Furong, Wangxian Valley, Huang Ling e Fenghuang. Veja aqui os detalhes do roteiro, meios de transporte e hotéis que ficamos em cada cidade.
Viajar para a China sempre esteve no topo da minha lista. Um destino gigante, com uma cultura milenar, paisagens de tirar o fôlego e uma diversidade tão grande que parece impossível conhecer tudo numa viagem só.
Depois de já ter feito viagens longas por outras partes do mundo, incluindo o Japão e boa parte do Sudeste Asiático, eu posso dizer que organizar esse roteiro de viagem para a China foi um dos maiores desafios de planejamento que já enfrentei. São tantas cidades incríveis, tantos vilarejos cênicos espalhados pelo país e uma logística de transporte que, no começo, parece um quebra-cabeça gigante.
Se você está começando a montar o seu roteiro pela China agora, provavelmente está se perguntando as mesmas coisas que eu me perguntei lá no início: quais cidades vale a pena conhecer? Quanto tempo ficar em cada lugar? Como ir de uma cidade para outra num país desse tamanho? Vale a pena incluir os vilarejos cênicos? Como funciona a internet e os aplicativos por lá? Onde se hospedar em cada destino? O que cortar do roteiro já que não dá pra ver tudo?
Essas foram só algumas das perguntas que me fizeram quebrar muito a cabeça até chegar na versão final desse que é, pra mim, um roteiro de viagem para a China muito completo e perfeito para quem vai conhecer o país pela primeira vez – combinando as grandes cidades com as paisagens naturais e os vilarejos mais charmosos.

É claro que o melhor roteiro sempre vai depender do seu interesse pessoal no destino. Por isso, quero reforçar que esse roteiro aqui foi o que funcionou pra mim, me deixou apaixonado pela China e eu posso compartilhar com segurança com você como uma ótima opção para ter realmente uma boa experiência de viagem.
Nesse post eu quero dar um panorama geral do nosso roteiro na China: mostrar exatamente o tempo que ficamos em cada cidade, os trens e voos que pegamos em cada trecho, onde ficamos hospedados e alguns comentários sobre a logística e organização de uma viagem tão longa.
Na sequência, em outros posts, aí sim vou começar a detalhar e compartilhar a minha experiência de viagem em cada cidade, cada vilarejo, o que fizemos e o que deixamos de fora.


Pra deixar o post mais organizado, vou dividir o conteúdo em tópicos. Você pode usar o menu abaixo para navegar pelo conteúdo e ir direto ao ponto de interesse. Eu recomendo que você leia tudo para entender bem certinho como foi a nossa viagem pela China.
Guia Especial: Roteiro China Um Viajante
Antes de seguir com os detalhes do roteiro, eu quero compartilhar com você uma novidade que criei especialmente junto com essa viagem para a China: o Guia Especial: Roteiro China por Um Viajante.

A ideia surgiu de algo que acontece o tempo todo comigo: sempre que um amigo me pergunta sobre uma viagem que eu fiz, a conversa toma um rumo bem diferente do que eu consigo passar aqui no blog. Eu amo enviar áudios com dicas mais pessoais, contando aqueles detalhes que só fazem sentido quando você fala direto para a pessoa… o que deu errado, o que eu faria diferente, o passo a passo que fiz para algo dar certo… esse tipo de coisa.
Foi pensando nisso que eu criei esse Guia Especial. Nele, você vai encontrar o mesmo roteiro que está aqui no post, exatamente esse, mais algumas dicas extras que eu não coloquei aqui e – o que eu mais gostei de fazer – áudios exclusivos que eu gravei ao longo do conteúdo, acessíveis por QR Codes espalhados pelo guia.


Nesses áudios, eu falo de uma forma bem simples e pessoal, como eu falo com os meus amigos quando eles me pedem ajuda para planejar uma viagem. Não tem roteiro pronto nem texto decorado: sou eu mesmo, contando como foi cada parte da viagem, dando aquelas dicas que normalmente ficam só na conversa de mesa de um café ou no grupo de WhatsApp com amigos.
Importante destacar: o roteiro completo da viagem, com as cidades, os transportes, os hotéis e toda a organização, está aqui nesse post de forma totalmente gratuita. O Guia é um conteúdo a mais, para quem quiser ir além e ter uma versão ainda mais pessoal, com dicas extras e os áudios exclusivos.


O valor do Guia Especial é bem acessível – pensei justamente em algo que cabe no bolso de quem já está se organizando para uma viagem dessas. Esse apoio me ajuda a continuar entregando conteúdos ainda mais completos aqui no blog e, principalmente, me aproxima de você que está do outro lado, planejando a sua viagem. A minha ideia é fazer isso também para os outros destinos que já compartilhei aqui no blog, criando uma coleção desses guias especiais para cada roteiro.
Se você adquirir o Guia Especial, eu vou ficar muito feliz se puder voltar aqui depois e deixar um comentário no post contando o que achou e, mais ainda, como foi a sua viagem para a China. Ler essas experiências é uma das partes que eu mais amo nesse trabalho e tenho certeza que ajuda também outros viajantes que estão chegando aqui pela primeira vez para se organizar.
Roteiro China: 20 dias ou mais? Quantos dias são necessários?
O primeiro ponto que eu quero comentar aqui é sobre a quantidade de dias no nosso roteiro de viagem para a China e também as possibilidades de adaptar ele para o tempo que você tem disponível para viajar.
No nosso caso, nós fizemos um roteiro de 24 dias na China, contando do dia que chegamos em Pequim até o nosso último dia completo em Yangshuo. Depois disso, ainda tivemos 1 noite em Hong Kong e 3 noites em Tóquio, no Japão, por conta de uma atualização que precisou ser feita na nossa passagem de volta. Se for contar os dias de viagem, desde a saída do Brasil até o dia de chegada de volta, a viagem completa teve 31 dias.




Eu achei esse tempo de 24 dias na China perfeito para fazer tudo que eu queria e, se pudesse, teria ficado mais tempo em alguns lugares – ou seja, poderia facilmente ter feito um roteiro maior. A China é um país enorme, com cidades gigantes, paisagens naturais incríveis e vilarejos cênicos espalhados por todo o território, então tempo nunca é demais por lá.
Ainda assim, quero reforçar que, caso você tenha menos tempo disponível, é totalmente viável ajustar a nossa viagem para um roteiro de 20 dias na China, ou até mesmo um roteiro mais curto, como um de 15 dias de viagem – nesses casos, basta cortar algumas cidades ou alguns dos vilarejos cênicos do roteiro. Pela minha experiência, eu sugiro que você tenha entre 20, 21, 22, 23 dias ou mais – especialmente se você for fazer essa viagem saindo do Brasil, que pesa tanto no preço da passagem quanto no tempo de viagem até o destino.
Pra quem vive em um país mais próximo da China, é mais fácil fazer um roteiro de 10 ou 12 dias – com menos cidades na programação e focando, por exemplo, só nas grandes capitais ou só na parte mais cênica do país.
Considerando tudo isso, eu sempre vou tratar o roteiro aqui levando em conta os dias completos no destino, já que eu não tenho como saber de onde você vai partir e quanto tempo vai levar de ida e volta. No nosso caso, como comentei, ainda tivemos uma parada extra em Hong Kong e em Tóquio na volta, mas isso foi algo pontual da nossa viagem por conta da reprogramação da passagem – não faz parte do roteiro original que eu planejei para a China.
Transportes na China: como viajar de uma cidade para outra
Desde que começamos o planejamento do nosso roteiro na China, um dos pontos que definimos de início foi a forma de transporte que usaríamos: os trens!


Viajar de trem na China vai muito além de ser só um meio de locomoção, é uma experiência que faz parte da viagem. A China tem a maior e mais moderna malha ferroviária de alta velocidade do mundo. São milhares de quilômetros de trilhos cortando o país de ponta a ponta, ligando praticamente todos os cantos com trens rápidos, confortáveis e extremamente pontuais.
Esses trens de alta velocidade fazem trajetos longos em poucas horas. Para se ter uma ideia, é possível atravessar boa parte do país, de Pequim a Shanghai, em pouco mais de 4 horas e meia de trem. E olha que estamos falando de uma distância semelhante à de São Paulo a Recife.
Justamente por essa estrutura tão completa, fazia muito sentido planejar o nosso roteiro inteiro de trem. E foi isso que fizemos! Praticamente todos os trechos do nosso roteiro na China foram feitos de trem, passando por cidades grandes como Pequim, Shanghai, Chongqing e Chengdu, e também por destinos menores e mais cênicos como Furong, Fenghuang, Huang Ling e Wangxian Valley.

A única exceção do roteiro foi um único trecho que fizemos de avião: de Shangrao (estação mais próxima do Wangxian Valley) para Chengdu. Até existia a opção de ir de trem, mas a viagem ferroviária levaria mais de 9 horas, enquanto o voo nos levou em apenas 2h30. Considerando o tempo que tínhamos, o ritmo da viagem e o preço da passagem aérea, que estava mais barata que o trem de 9 horas, foi uma decisão fácil e que valeu muito a pena.
Tirando esse trecho, todo o resto foi feito de trem – e digo com tranquilidade que viajar de trem na China é uma das melhores partes da experiência. Os trens são limpos, modernos, espaçosos, e horários cumpridos com uma precisão impressionante.
Onde compramos os tickets e passagens de trem
Esse é um ponto-chave que faz muita diferença para quem está planejando uma viagem pela China e eu preciso explicar com calma, porque envolve algumas particularidades que são bem diferentes do que estamos acostumados em outros países.
Toda a nossa compra de passagens de trem, hotéis, ingressos e até o voo de Shangrao para Chengdu foram feitos pelo TRIP – e eu posso dizer com segurança que o Trip foi uma das ferramentas mais importantes nessa viagem. Mais do que um site de compra, ele virou praticamente a base de toda a nossa organização na China.
Compra de passagens de trem na China
Vou explicar agora alguns pontos importantes sobre como funciona a compra de passagens de trem na China, porque tem uma lógica bem diferente:
1. As passagens só são liberadas com 15 dias de antecedência.
Diferente do que acontece em outros países, onde você consegue comprar a passagem de trem com meses de antecedência, na China as passagens só são disponibilizadas para venda 15 dias antes da data da viagem. Isso vale para qualquer trem do país.
2. O Trip permite fazer uma pré-reserva com até 60 dias de antecedência.
Esse é o grande pulo do gato! Mesmo com a regra dos 15 dias, no TRIP você consegue fazer uma pré-reserva da sua passagem com até 60 dias de antecedência. Você escolhe o trecho, o horário, a classe e finaliza o pagamento. A partir daí, é só aguardar – o próprio Trip faz a emissão da passagem assim que ela é liberada pela operadora dos trens, 15 dias antes da viagem.
3. Como funciona a emissão
Assim que a passagem é emitida, você recebe um e-mail de confirmação do TRIP e não precisa fazer mais nada. Quando você reserva uma passagem de segunda classe, que é a mais acessível e a mais comum, a emissão geralmente acontece nos minutos seguintes à liberação. Já passagens de primeira classe, premium e business são mais concorridas e podem demorar mais para serem emitidas, ou até esgotar antes da liberação no Trip. Caso a passagem esgote, o Trip faz o reembolso automático e você precisa fazer uma nova reserva, escolhendo outra classe ou outro horário.
4. Você não precisa de ticket físico para pegar o trem.
Esse é um ponto que parece detalhe, mas faz uma diferença enorme na prática. Na China, com o passaporte cadastrado na reserva, você embarca direto no trem usando apenas o passaporte – não é necessário ticket impresso nem QR Code. Por isso, ao fazer a reserva no TRIP, é tão importante preencher corretamente os dados do passageiro, incluindo o nome exatamente como está no passaporte e o número do documento. Esse cadastro é o que vincula a sua reserva ao seu passaporte e permite o embarque direto nas estações.
Além das passagens de trem, eu também reservei pelo TRIP os nossos hotéis, ingressos de atrativos e até o voo de Shangrao para Chengdu. Ter tudo concentrado em uma única plataforma facilitou bastante a organização, especialmente em uma viagem longa como essa, com tantos trechos diferentes.
Eu gravei um áudio no Guia Especial Roteiro China comentando com mais detalhes sobre as reservas de passagens de trem, como usar o Trip, dicas e o que fazer caso uma passagem esgote.
Acesse o Guia Especial.
Dinheiro na China: qual moeda e cartão levar?
Dinheiro na China? Esse é, sem dúvida, um dos tópicos mais diferentes desse post se comparado a qualquer outro destino que já visitei no mundo. E eu vou começar com a informação que mais choca quem está planejando uma viagem para a China: nessa viagem de praticamente 1 mês inteiro pelo país, nós não levamos absolutamente nenhuma moeda em espécie. Literalmente, nenhuma. Passamos os 24 dias do roteiro sem encostar em uma única nota ou moeda de yuan.
Diferente de qualquer outro lugar do mundo onde já estive, na China tudo é feito direto pelo celular, através de dois aplicativos: o WeChat e o Alipay. Esses dois apps são praticamente uma extensão da vida das pessoas por lá e, para o viajante, são a forma como você vai pagar absolutamente tudo: hotéis, restaurantes, transporte, lojas, museus, atrativos, barraquinhas de rua… tudo mesmo.
Como funciona na prática: dentro do WeChat e do Alipay você vai cadastrar um cartão de crédito ou débito internacional, e os pagamentos são feitos via QR Code. Você abre o app, escaneia o código do estabelecimento (ou mostra o seu código para ser escaneado) e pronto, pagamento feito em segundos.
No meu caso, cadastrei o meu cartão da Wise nos dois aplicativos e, por segurança, também adicionei um cartão de crédito internacional comum como reserva. Mas posso te garantir: o cartão da Wise funcionou 100% das vezes, em todos os pagamentos que fiz na viagem inteira, sem uma única falha. Eu deixei o saldo da minha conta Wise em dólares e, sempre que usava o WeChat ou Alipay para pagar, o próprio sistema fazia a conversão automática para yuan na hora.
Por isso, a minha recomendação é simples: abra a sua conta na Wise antes de viajar e cadastre o cartão nos dois aplicativos. É a melhor combinação de praticidade, segurança e economia que você pode levar pra China.
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Aplicativos na China: quais são necessários
Esse tópico é praticamente uma continuação do anterior, porque na China os aplicativos não são “úteis”, eles são indispensáveis. Sem eles, simplesmente, você não consegue realizar a viagem. Os três que você precisa instalar são: WeChat, Alipay e Amap.



O WeChat, de cara, parece um WhatsApp da vida – e, em parte, é mesmo. Ele é o app de mensagens que todo mundo usa na China. Porém, dentro dele existe um universo paralelo chamado mini programs, que funcionam como aplicativos dentro do aplicativo. É aí que está a mágica: você acessa praticamente qualquer serviço da China sem precisar instalar mais nada. O Didi, por exemplo, que é o aplicativo de transporte que todo mundo usa no lugar do Uber (que não existe lá), está acessível tanto como mini program dentro do WeChat quanto dentro do Alipay. Você não precisa instalar o Didi separadamente, é só abrir pelo app que já tem.
O Alipay segue uma lógica parecida e, na prática, ele e o WeChat se complementam. Eu usei muito os dois em paralelo na viagem, porque às vezes um funciona melhor em determinado lugar, outras vezes o outro. Ter os dois instalados e configurados é a forma mais segura de não ter surpresa. Eu usei o Didi muito mais no Alipay do que no WeChat.
E aqui vai o aviso mais importante desse tópico, que pode salvar a sua viagem: instale e ative o WeChat e o Alipay ainda no Brasil. Não deixe pra fazer isso depois que chegar na China. Esses dois aplicativos exigem uma validação via SMS pelo seu número de celular e, se você só for tentar ativar lá, sem acesso ao seu chip brasileiro pra receber a mensagem, você vai ter sérios problemas para validar a conta. Faça isso com calma, ainda no Brasil, antes de embarcar. Não é só importante, é indispensável.
Além desses dois, eu recomendo muito instalar também o Amap, que é o aplicativo de mapas que os chineses usam – funciona como o Google Maps deles, já que o Google não funciona na China. É com o Amap que você vai conseguir se localizar, traçar rotas a pé, de metrô e identificar pontos turísticos. O Amap às vezes também pede uma validação, e em alguns casos você consegue validar usando a sua própria conta do WeChat, o que facilita bastante.
Por fim, mais um aplicativo que não pode faltar: um bom tradutor. Na China é raríssimo encontrar alguém que fale inglês, mesmo nas grandes cidades. Você vai depender do tradutor para praticamente tudo: pedir no restaurante, conversar com motorista, comprar em loja, tirar dúvida na rua. Eu usei muito o aplicativo Traduzir da própria Apple e funcionou super bem, inclusive com o modo conversação e o modo câmera, que traduz placas e cardápios em tempo real. Esse vai virar o seu melhor amigo na viagem.
Eu gravei um áudio no Guia Especial Roteiro China comentando com mais detalhes sobre os aplicativos e coloquei mais algumas dicas de uso práticas para sua viagem.
Acesse o Guia Especial.
Internet na China: qual a melhor operadora?
Esse é um dos pontos mais importantes do planejamento pra essa viagem e eu preciso destacar com atenção: a China tem muitas restrições de internet e boa parte dos aplicativos que usamos no dia a dia simplesmente não funcionam por lá.
Google, Gmail, Google Maps, Instagram, Facebook, WhatsApp, YouTube, Uber… todos esses serviços são bloqueados, e isso vale inclusive quando você está conectado no Wi-Fi do hotel. Não é falta de sinal, é bloqueio mesmo.
Pra conseguir acessar todos esses serviços normalmente, é necessário usar uma VPN (que faz a sua conexão “passar” por um servidor de fora da China). Existem duas formas de fazer isso: baixar um aplicativo de VPN ainda no Brasil (porque dentro da China esses apps também são bloqueados) ou, como nós fizemos, contratar um chip internacional que já tem VPN incluso na conexão, que é a solução mais prática e tranquila.
Holafly e Airalo: testei as duas operadoras
Eu já conhecia as duas e usei ambas em paralelo nessa viagem. As duas oferecem planos específicos pra China com VPN já incluso, ou seja, você ativa e tudo funciona normalmente.
- A Holafly sempre foi uma marca que eu gostei e usei sem problemas em outras viagens. Mas, dessa vez, os dois eSIMs (o meu e o do Diogo) não funcionaram quando chegamos na China e só resolvemos depois de trocar os dois pelo suporte.
- A Airalo funcionou desde o primeiro uso, sem nenhum tipo de problema.
Mas aqui vai um aviso importante: não espere uma super conexão na China, independente da operadora. A experiência das duas foi muito parecida, com altos e baixos durante a viagem. Pra uso comum (mapa, tradutor, WhatsApp, navegação) funciona bem. Já pra subir vídeo nos stories era difícil em alguns momentos, chamadas de vídeo pelo WhatsApp também difíceis, e fazer backup do celular foi praticamente impossível (acabei comprando um HD externo no meio da viagem pra dar conta dos arquivos).
De uma forma geral, duas são as melhores opções disponíveis hoje. Se eu pudesse escolher uma só depois dessa experiência, iria de Airalo pela tranquilidade. Mas a Holafly continua sendo uma marca que confio. Se você tiver receio de ter problemas, ter os dois chips também pode ser uma boa saída e, pra gente, foi uma boa decisão.
No Guia Especial Roteiro China eu gravei um áudio detalhando bem essa parte da internet, com mais dicas práticas e comentando mais sobre os problemas que tivemos.
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Importante: contrate o eSIM ainda no Brasil e ative só quando chegar na China.
Documentos para viajar para a China
Esse é um tópico que mudou bastante nos últimos anos e eu preciso destacar uma ótima notícia logo de cara: brasileiros estão isentos de visto para visitar a China. A isenção vale para estadias de até 30 dias, com finalidades de turismo, negócios, visita a familiares ou amigos, intercâmbio ou trânsito, e segue valendo durante todo o ano de 2026. Inclusive, em maio de 2026, o Brasil também passou a isentar os turistas chineses, tornando essa relação totalmente recíproca entre os dois países.
Mas, mesmo com a isenção, alguns documentos continuam sendo importantes:
- Passaporte com validade mínima de 6 meses a partir da data de entrada na China e pelo menos uma página em branco.
- Certificado Internacional de Vacinação (CIVP) contra a febre amarela, que é exigido pra brasileiros já que o Brasil entra na lista de países de risco pra essa doença. Tome a vacina com pelo menos 10 dias de antecedência e emita o CIVP gratuitamente pelo site do Gov.br (se a sua vacinação for antiga, o prazo pode chegar a 10 dias úteis, então não deixe pra última hora).
- Reserva da primeira hospedagem e comprovante da passagem de retorno, que podem ser solicitados na imigração.
- Endereço do hotel em chinês e em inglês, que vai ser útil também pra mostrar pro motorista de táxi quando chegar.
Importante: como muitos serviços online são bloqueados na China, deixe tudo salvo offline no celular e tenha cópias impressas dos itens mais importantes na bagagem de mão.
- Detalhe que pouca gente sabe: na China, todo turista precisa ter o endereço de hospedagem registrado na polícia local nas primeiras 24h após a chegada, mas isso é feito automaticamente pelos hotéis no check-in, então não é algo com que você precisa se preocupar.
Seguro Viagem na China
Eu preciso destacar com muita atenção a importância de contratar um bom seguro viagem para a China. A China é um país enorme, com cidades gigantes, regiões mais isoladas e paisagens naturais que exigem caminhadas. Imprevistos podem acontecer com qualquer pessoa e estar coberto por um bom seguro faz toda a diferença.

Eu uso o seguro viagem da Assist 365 nas minhas viagens e foi exatamente esse seguro que salvou nossa viagem ao Japão, quando o Diogo teve um acidente sério na trilha do Monte Fuji (contei essa história em detalhes aqui no post do roteiro do Japão). Não tivemos que pagar nada de hospital, consulta, exames e raio-X, e o suporte por WhatsApp foi ótimo em um momento delicado.
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Roteiro de 24 dias na China: Nosso itinerário completo
Eu vou compartilhar aqui, para começar, o nosso roteiro da China original, exatamente como planejamos. De tudo o que programamos, basicamente foi assim que fizemos, com uma alteração pontual no finalzinho da viagem que vou comentar logo na sequência. Aqui então o roteiro de 24 dias na China:
Esse foi o nosso roteiro completo dos 24 dias na China. Eu fiquei muito feliz com a forma como esse roteiro foi montado: passamos por grandes cidades como Pequim, Shanghai, Chengdue Chongqing, mas também conseguimos incluir destinos menores e cênicos como Huang Ling, Wangxian Valley, Furonge Fenghuang, que, pra mim, são experiências completamente diferentes e que fizeram toda a diferença na viagem.
A única alteração na nossa programação aconteceu já no fim do roteiro, na parte que viria depois de Yangshuo. No plano original, eu tinha reservado mais dias em Hong Kong para fechar a viagem. Acontece que, por conta de uma atualização que precisou ser feita na nossa passagem de volta para o Brasil, acabamos ficando apenas 1 noite em Hong Kong e seguindo dali para Tóquio, onde passamos mais 3 noites antes de embarcar de volta.
Pra mim, esse roteiro de 24 dias na China foi realmente incrível. Pequim e Shanghai são duas portas de entrada incríveis e completamente diferentes entre si, uma mais histórica e tradicional, a outra futurista, e juntas elas dão um panorama muito amplo do que é a China hoje. Chengdu e Chongqing trazem uma vibe mais autêntica e local, com gastronomia, cultura e ritmo de cidade que fogem completamente do que vemos nas grandes capitais. E os vilarejos cênicos, como Huang Ling, Wangxian Valley, Furong e Fenghuang, são lugares que parecem saídos de uma pintura: paisagens de tirar o fôlego e que muito poucos brasileiros conhecem.
Zhangjiajie, então, que é o parque que inspirou os cenários do filme Avatar, foi um dos lugares mais impressionantes que eu visitei na vida. E a parte final em Yangshuo fechou esse roteiro com chave de ouro.
Se você tem menos tempo disponível, é totalmente viável adaptar esse roteiro: cortar um ou outro vilarejo cênico, ou até retirar uma das cidades grandes do meio do roteiro. Mas, se puder, tente não cortar mais dias nas cidades grandes pois vai ficar muito apertado.
Pela minha experiência, eu sugiro que você tenha entre 20, 21, 22, 23 dias ou mais pra conseguir incluir essa mistura de cidades grandes e vilarejos cênicos sem ficar correndo de um lugar pro outro.
Roteiro de Viagem China: Detalhando a viagem
Agora que já passei pra você o nosso roteiro completo, comentei sobre os transportes, sobre onde comprar os tickets e passagens, sobre dinheiro e cartão, aplicativos, internet, documentos e seguro viagem, vou fazer os comentários gerais para cada etapa do nosso roteiro.
Como falei lá no começo, eu ainda vou detalhar essa viagem em outros posts e conteúdos, falando exatamente sobre o que visitamos, o que fizemos em cada dia, os passeios que valeram a pena, os que eu faria diferente e tudo mais. Mas agora, quero deixar o roteiro bem explicado para você que está exatamente nessa fase do planejamento.
Pequim: a porta de entrada pra China
Pequim foi a primeira cidade que visitamos nesse roteiro de 24 dias na China. Assim como é para a maior parte dos viajantes que chegam ao país, a capital da China é uma das principais portas de entrada e, por isso, faz muito sentido começar a viagem por aqui.




A nossa viagem pra Pequim foi um voo do Brasil até Paris, onde tivemos uma escala de 12 horas que aproveitamos pra sair do aeroporto e curtir um pouco da cidade (valeu muito a pena!), e de Paris um voo direto pra Pequim. Chegamos no fim da tarde, e quando estávamos chegando no hotel já passava das 21h, então o jantar foi não muito longe do hote l. Mesmo assim, demos a sorte de encontrar um dos melhores lámens da viagem inteira, o nome do lugar é JANZI JIAN 西北特瓜味.
Em Pequim, nós ficamos 4 noites e gostei demais da experiência. Se eu pudesse, teria ficado mais 1 noite pra explorar com mais calma alguns lugares que ficaram de fora.
Principais experiências em Pequim
Em 4 dias completos, deu pra fazer todos os passeios que eu mais queria, e ainda tivemos espaço pra momentos mais tranquilos. Aqui vão os principais lugares que conhecemos:
Cidade Proibida + Praça Tiananmen + Hutongs
O nosso primeiro grande dia em Pequim. Visitar a Cidade Proibida foi marcante, e a Praça Tiananmen impressiona demais. Depois passeamos pelos hutongs, as ruelinhas antigas da cidade, e provamos o famoso pato laqueado no Quanjude Peking, recomendado pelo Guia Michelin. À noite fechamos com uma caminhada pela Wangfujing Street.


Templo do Céu + Palácio de Verão
Visitamos o Templo do Céu e Palácio de Verão mesmo dia. Os dois envolvem bastante caminhada, então prepare bem os pés, mas é totalmente viável fazer os dois se você organizar a logística. No meio do dia descobrimos uma cafeteria incrível (Voyage Coffee), que estava com cerejeiras floridas em frente, uma surpresa linda da época da viagem (fim de março, em plena florada).




Muralha da China em Mutianyu
O passeio mais especial de Pequim. Escolhemos essa região por ser uma das mais bem preservadas da Muralha e fomos por conta própria, sem grupo organizado, pra ter total liberdade de horário e ritmo. Acordamos às 5h da manhã (sim, exagerei) e valeu cada minuto: fomos praticamente os primeiros a entrar e fazer o passeio com a Muralha quase vazia foi surreal.



Subimos de teleférico e descemos de tobogã (uma das experiências mais divertidas que já fiz numa viagem).
Houhai e a região de Shichahai
Uma área histórica formada por lagos, hutongs e muitos bares ao redor. À noite a beira do lago ganha música, luzes e um clima completamente diferente da Pequim imperial que a gente imagina. Foi um ótimo fechamento pra nossa passagem por Pequim.

Dica importante: pra visitar a Cidade Proibida, eu comprei o ingresso pelo site oficial. E pra entrar na Praça Tiananmen é necessário fazer uma reserva gratuita pelo WeChat com pelo menos 1 dia de antecedência, então não dá pra fazer pra o mesmo dia. Se você não souber disso, pode chegar lá e não conseguir entrar.
Hospedagem em Pequim: Onde ficamos
Pra essas 4 noites em Pequim, fizemos a reserva no TRIP (que foi a plataforma que usamos pra praticamente todas as reservas dessa viagem) e ficamos no Bei Jing Tong Run Hotel.
Bei Jing Tong Run Hotel – Excelente!
O Bei Jing Tong Run Hotel foi a nossa escolha pras 4 noites em Pequim e foi uma experiência muito boa do começo ao fim. Localização ótima, quarto confortável e o café da manhã estava bem gostoso, com bastante variedade. Eu recomendo reservar com o café da manhã incluído, vale muito a pena.



Ficaria nesse hotel novamente sem sombra de dúvidas! Boa custo-benefício, atendimento bem solícito e uma região de Pequim que facilita o acesso aos principais pontos turísticos da cidade.
No Guia Especial Roteiro China eu gravei um áudio comentando com mais detalhes a nossa experiência em Pequim e algumas dicas pessoais.
Shanghai: a China que parece ficção científica
Shanghai foi a nossa segunda base nesse roteiro de viagem pela China. Pra chegar lá, saímos de Pequim no trem de alta velocidade, que reservamos pelo TRIP e foi uma viagem incrível pelo conforto, pontualidade e pela velocidade absurda. O trecho Pequim-Shanghai foi feito em pouco mais de 4 horas e isso entre duas cidades a mais de 1.200 km de distância.


Dica importante: diferente do que acontece em algumas cidades da Europa, por exemplo, na China as estações de trem nem sempre ficam no centro da cidade. Em Shanghai, a estação é bem afastada do centro e gastamos quase 1 hora de Didi do hotel até a estação. Considere esse tempo extra no seu planejamento, principalmente nos dias de chegada e saída de cidade.
Em Shanghai nós ficamos 3 noites e, seguindo um padrão que já estava virando regra na viagem, gostaria de ter ficado pelo menos 1 ou até 2 noites a mais. Shanghai é uma cidade enorme, com muita coisa pra ver, e em 3 dias completos a gente conseguiu fazer um bom panorama, mas tem muito mais que vale a pena explorar.
Principais experiências em Shanghai
Eu organizei o nosso roteiro pra equilibrar o lado moderno de Shanghai com as áreas históricas e tradicionais, o que pra mim é justamente o que torna essa cidade tão especial: o contraste. Aqui vão os principais lugares que conhecemos:
Xintiandi
Uma das primeiras regiões que visitamos, logo na noite da chegada. É uma área de antigos casarões da concessão francesa que foram restaurados e hoje abrigam lojas de marcas internacionais, restaurantes e cafés. Voltamos no nosso último dia pra explorar com mais calma durante o dia, quando a região tem outra cara.



The Bund + Pudong + Shanghai Tower
O nosso grande dia em Shanghai. Saímos cedo pra pegar a vista de Pudong a partir do Bund, quando o movimento ainda está tranquilo. Dali atravessamos pro outro lado do Rio Huangpu pra subir na Shanghai Tower, que é o segundo prédio mais alto do mundo.



Compramos o ingresso completo, que dá acesso aos andares 125 e 126, onde fica o Damper Show (uma apresentação sobre a esfera gigante que dá sustentação ao prédio em caso de tremores) e a escultura The Eye of Shanghai, uma das experiências mais surreais e diferenciadas que fiz em toda a viagem. Pouquíssimas pessoas conhecem essa parte e fica como uma super dica.
Yu Garden e Templo da Cidade
Uma das áreas mais lindas de Shanghai, e um dos lugares que mais me apaixonei na cidade. O Yu Garden é um jardim clássico chinês construído na Dinastia Ming, muito bem preservado e muito maior do que parece de fora.





Já o Templo da Cidade, anexo ao jardim, é um conjunto de templos e ruas comerciais que à noite se transformam completamente, com iluminação cênica e várias casas de comida indicadas pelo Guia Michelin no entorno. Eu voltei lá duas vezes, de dia e de noite, e cada experiência foi completamente diferente.
Pôr do sol no Bund
Uma das paisagens mais marcantes da viagem. Ver os arranha-céus de Pudong se iluminarem aos poucos enquanto o céu muda de cor é simplesmente inesquecível.



Tianzifang, Navio Louis Vuitton e Nanjing Road
Parte da antiga Concessão Francesa de Shanghai, Tianzifang é uma área de vielas estreitinhas, lojas de design, cafés escondidos e muito charme. Fomos cedo (o movimento ainda estava tranquilo, várias lojas começando a abrir), e depois descobri que esse foi o melhor horário pra explorar a região.
Já o Navio da Louis Vuitton, que está super em alta nas redes sociais, fica anexo a um shopping de luxo – vale a visita por fora (não entramos). Fechamos a nossa estadia em Shanghai na Nanjing Road, uma das ruas comerciais mais famosas do mundo, gigante, e nós focamos só na parte de pedestres, que já é enorme por si só.



O que mais me marcou em Shanghai, além das vistas e arquitetura, foi a história inesperada de uma compra que rendeu uma das melhores aventuras da viagem inteira: uma vendedora de uma loja em Tianzifang se ofereceu pra nos levar de táxi (por conta dela) até um lugar onde teríamos tudo que quiséssemos pra comprar. Esse “lugar” era o famoso Fake Market de Shanghai, onde, literalmente, se encontra tudo que você imaginar. Foi um daqueles momentos que vão render histórias de viagem pra vida toda. Eu gravei um audio contando essa experiência em detalhes no Guia Especial.
Hospedagem em Shanghai: Onde ficamos
Pra essas 3 noites em Shanghai, fizemos a reserva no Trip e ficamos no CitiGO Hotel Lujiazui Shanghai.
CitiGO Hotel Lujiazui Shanghai – Ótimo custo-benefício
O CitiGO Hotel Lujiazui Shanghai foi a nossa escolha pelas 3 noites na cidade e ofereceu excelente custo-benefício pro preço. É um hotel mais simples, quarto pequeno e funcional, mas muito bem localizado e em uma região de fácil acesso aos principais pontos de Shanghai, especialmente pra quem quer estar perto de Pudong.


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No Guia Especial Roteiro China eu gravei áudios comentando com mais detalhes a nossa experiência em Shanghai.
Huangling: o vilarejo das colheitas coloridas
Huangling foi a nossa terceira base nesse roteiro de viagem pela China e eu não tenho como começar essa parte de outra forma: foi um dos maiores presentes desse roteiro. Um vilarejo escondido em uma área rural completamente fora das grandes rotas turísticas, que muito poucos brasileiros conhecem, e que nos deixou completamente apaixonados.



Huangling é um vilarejo histórico de quase 600 anos, construído nas encostas de uma montanha no interior da província de Jiangxi (uma região mais ao centro-leste da China). E o que torna esse lugar realmente único é uma tradição cultural bem específica daqui: o shai qiu, a prática ancestral de secar colheitas em grandes cestos de bambu instalados nos telhados das casas. Os cestos aparecem coloridos com pimentas, milho ou abóbora, dependendo da estação, e o contraste com as paredes brancas e telhados pretos da arquitetura tradicional Hui virou um dos cartões-postais do interior da China.
Em Huang Ling nós ficamos 1 noite e, sinceramente, eu queria poder ter ficado mais. Mas, ao mesmo tempo, sinto que uma única noite ali foi o suficiente pra conhecer com calma, aproveitar de verdade e ir embora com aquela saudade boa que a gente leva dos lugares especiais.
Como chegar em Huang Ling
A nossa ida pra Huang Ling começou em Shanghai: pegamos um trem de alta velocidade às 8h30 da manhã, saindo da estação Shanghai Hongqiao até a estação de Wuyuan, que é a cidade mais próxima do vilarejo. Dali pegamos um Didi até a entrada do teleférico, que é a única forma de subir até a área cênica de Huang Ling. As malas sobem com a gente no teleférico, e a equipe local dá todo o suporte na hora do embarque (o ingresso do teleférico já vem incluído na diária do hotel). Lá em cima, um carro nos levou até a recepção da hospedagem.


Dica importante: boa parte dos visitantes vai pra Huang Ling apenas durante o dia, fazendo bate-volta. Por isso, os melhores horários pra explorar o vilarejo são bem cedinho de manhã e ao anoitecer, quando as ruas ficam praticamente vazias e o clima fica realmente mágico. Se você puder dormir lá pelo menos uma noite, vai ter uma experiência completamente diferente do turista médio.
O que fizemos em Huang Ling
Mais do que uma lista de “passeios pra fazer”, Huang Ling é um lugar pra você se entregar ao ritmo da própria vila: caminhar pelas ruelas de pedra, observar as construções antigas no estilo Hui, ver os cestos coloridos do shai qiu nos telhados e contemplar os campos terraceados ao redor.
Nós tivemos a sorte de chegar no auge da florada da canola, que acontece entre março e abril, e os campos do vale ao redor do vilarejo estavam todos pintados de amarelo. Lindo, lindo, lindo. Foi simplesmente uma das paisagens mais especiais que eu já vi numa viagem.




Aproveitamos toda a tarde do dia da chegada pra explorar com calma, ver o pôr do sol e curtir o anoitecer no vilarejo. No dia seguinte acordamos bem cedo pra pegar Huang Ling ainda sem o movimento de turistas que começa a chegar mais tarde. Dormir nesse lugar foi simplesmente mágico.
Hospedagem em Huang Ling: Onde ficamos
Pra essa única noite em Huang Ling, fizemos a reserva no TRIP e ficamos no Yishan Jumeisu, uma hospedagem dentro da própria área cênica do vilarejo.
Yishan Jumeisu – Vista absurda!
A escolha do Yishan Jumeisu se confirmou no momento em que abrimos a janela do quarto: uma vista absurda do vilarejo, com os campos amarelos da canola se estendendo ao longe e as casas antigas em camadas pela montanha. Foi quando soubemos que tínhamos feito a escolha certa.




Toda a logística do hotel é feita pelo aplicativo do Trip (o próprio hotel envia as instruções de chegada e check-in pelo app), e isso facilitou bastante já que estávamos chegando em uma região rural. O check-in é feito em uma área separada do teleférico, mas no mesmo prédio na base da montanha, antes da subida. Se eu pudesse, voltaria sem pensar duas vezes!
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Dica: esse hotel não libera reservas com muita antecedência, então pode ser que apareça sem vagas para você. Salve esse link e vá acompanhando pois é normal.
Saindo de Huang Ling em direção a Wangxian Valley
Saindo de Huang Ling, o nosso próximo destino foi Wangxian Valley, outro destino cênico e dessa vez bem mais isolado. Aqui você tem duas opções de trajeto:
- Opção mais econômica: descer o teleférico, pegar um Didi até a estação de Wuyuan, pegar um trem até a estação de Shangrao, e dali um outro Didi até Wangxian Valley. Essa saía aproximadamente R$ 100 mais barata.
- Opção mais prática: descer o teleférico e pegar um Didi direto pra Wangxian Valley. Foi essa que nós escolhemos. Foram aproximadamente 2h30 de viagem e o custo total ficou em 500 yuan (cerca de R$ 315).
Considerando o tempo total, com a logística de chegar com antecedência na estação, esperar o trem, pegar dois Didis ao longo do trajeto e ainda viajar carregando as malas, a diferença real de tempo entre as duas opções não é tão grande. Por isso, pra mim, o custo extra da opção B foi totalmente justo pela praticidade, especialmente sendo um carro confortável e com bom espaço pras malas.
No Guia Especial Roteiro China eu gravei um áudio comentando com mais detalhes a nossa experiência em Huangling, como funciona o check-in no hotel e tudo que aprendi nessa noite mágica no vilarejo.
Wangxian Valley: a pedreira que virou um cenário de filme
Wangxian Valley foi a nossa quarta base nessa viagem. Diferente do que muita gente imagina e diferente também de Huang Ling, que tem quase 600 anos de história, o Wangxian Valley é um complexo turístico relativamente novo: foi inaugurado oficialmente em outubro de 2020, então tem pouco mais de 5 anos. Mas o que torna o lugar realmente curioso é o passado dele: toda essa área era uma pedreira de granito que funcionou intensamente entre 1998 e 2007, com quase 180 linhas de produção operando ao mesmo tempo. A extração foi tão agressiva que o rio que corta a região chegou a ficar completamente branco pela poluição da pedra, e os moradores o apelidaram de “Rio de Leite”.




Quando as pedreiras foram fechadas, começou um processo longo de restauração ambiental que levou cerca de dez anos (e um investimento de cerca de 3 bilhões de yuans). A área foi totalmente recuperada e transformada em um complexo turístico inspirado nas construções tradicionais do nordeste da província de Jiangxi, com paredes de taipa, telhados em camadas, ruelas de pedra, pontes históricas, cachoeiras e casas literalmente penduradas em paredões de pedra. O resultado é simplesmente surreal e, não por acaso, o lugar virou um fenômeno turístico na China com mais de 1 milhão de visitantes por ano.
Em quanto tempo dá pra conhecer
Aqui vai a minha opinião sincera: nós ficamos 2 noites em Wangxian Valley e, pra mim, isso foi exagero. O lugar é lindo, vale muito a pena conhecer, mas uma noite bem aproveitada já é mais do que suficiente pra explorar o complexo inteiro com calma.




Já na primeira noite, depois do check-in, a gente percorreu praticamente tudo que existe pra ver lá. O Wangxian Valley funciona muito como um parque temático: tem apresentações artísticas, shows ao vivo, uma praça principal onde acontece o evento mais famoso (uma performance impressionante de fogo e dança), pontos de fotos preparados e até pequenas ruas com gastronomia local. Tudo lindíssimo, mas todo o conjunto foi pensado pra entreter o visitante em um ritmo que se completa em pouco tempo.
- Dica importante: durante o dia, Wangxian Valley fica meio “apagado”. A real beleza do lugar é à noite, quando a iluminação cênica acende em toda a área e o vale ganha um clima quase de cenário de filme. Por isso, organize seu dia pra descansar a tarde e sair pra explorar com tudo iluminado a partir do anoitecer.
O que fizemos em Wangxian Valley
Como nós tínhamos duas noites e percebemos rápido a dinâmica do lugar, aproveitamos o segundo dia pra descansar: dormimos até mais tarde, andamos um pouco durante o dia e ficamos no hotel a maior parte da tarde. O ritmo dessa viagem é intenso e, depois de Pequim, Shanghai e Huang Ling, o cansaço já estava aparecendo. À noite, voltamos pra explorar com calma.




Caminhamos pelas ruelas iluminadas e pelas pontes históricas, que ficam absolutamente lindas com a iluminação noturna.Vimos o show de fogo e dança na praça principal, que vale muito a pena assistir. Apreciamos a vista das casas penduradas no paredão de pedra, o cartão-postal mais famoso de Wangxian Valley.
Hospedagem em Wangxian Valley: Onde ficamos
Pra essas 2 noites em Wangxian Valley, fizemos a reserva no Trip e ficamos no Yangxian Village, uma das hospedagens oficiais dentro da própria área cênica.
Yangxian Village – Boa escolha
Ficar dentro do complexo foi uma decisão ótima, porque permitiu que a gente explorasse o vale com muito mais calma, especialmente à noite, sem se preocupar com horários de transporte.



A arquitetura do Yangxian Village segue o mesmo estilo das construções tradicionais do nordeste de Jiangxi, que dão a personalidade visual do Wangxian Valley, então a experiência da hospedagem ficou totalmente integrada à do lugar.
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No Guia Especial Roteiro China eu gravei um áudio comentando com mais detalhes a nossa experiência em Wangxian Valley e com minha opinião sincera sobre se vale a pena ficar uma ou duas noites.
Saindo de Wangxian Valley em direção a Chengdu
Saindo de Wangxian Valley, o próximo destino do roteiro foi Chengdu, e esse foi o único trecho da nossa viagem que precisou ser feito de avião. Mesmo quebrando muito a cabeça no planejamento (eu queria muito ter feito tudo de trem), não teve jeito: o trajeto entre Shangrao e Chengdu de trem levaria mais de 9 horas, enquanto o voo nos levou em 2h30. Considerando o tempo que tínhamos, o preço da passagem e o ritmo da viagem, foi uma decisão fácil e valeu muito a pena.
O dia do voo foi um dia de bastante instabilidade climática e o nosso voo acabou atrasando, mas a companhia aérea nos avisou desde cedo e conseguimos nos organizar pra sair mais tarde de Wangxian (o ruim foi que, como já tínhamos feito tudo lá, não tinha muito mais o que fazer enquanto esperávamos). No fim, chegamos em Chengdu algumas horas mais tarde do que o previsto, e a primeira noite foi apenas pra jantar e descansar.
Chengdu: a terra dos Pandas Gigantes
Chengdu foi a nossa quinta base nessa viagem e já entrou na minha lista pessoal de cidades que eu voltaria sem pensar duas vezes. Capital da província de Sichuan, com cerca de 14 milhões de habitantes, Chengdu é conhecida no mundo todo como “a terra dos pandas gigantes” (o principal centro de conservação da espécie está aqui), mas é também a cidade do ritmo de vida mais relaxado da China: casas de chá centenárias, mahjong nas praças, a culinária Sichuan picante que conquistou o mundo e uma vida noturna efervescente. Eu amei Chengdu, de verdade.


Em Chengdu nós ficamos 3 noites e, seguindo o padrão da viagem, eu queria ter ficado mais um ou dois dias. Pra ser bem sincero, ficaria até mais que isso. Chengdu é uma cidade que tem muita coisa pra oferecer, desde experiências culturais bem tradicionais até uma vida noturna intensa.
Principais experiências em Chengdu
Chengdu Research Base of Giant Panda Breeding
Não tem como começar Chengdu por outro lugar. Visitar o Chengdu Research Base of Giant Panda Breeding foi um dos dias mais especiais de toda a viagem, e eu preciso destacar uma coisa que muita gente não sabe: esse lugar não é um zoológico.



É um centro oficial de pesquisa e conservação de pandas gigantes, sem fins lucrativos, fundado em 1987 com apenas 6 pandas resgatados da natureza (durante uma crise em que o bambu havia morrido em massa nas montanhas de Sichuan, deixando os animais sem alimento). Hoje, ele abriga a maior população de pandas em cativeiro do mundo e foi responsável por aumentar a taxa de sobrevivência dos filhotes de cerca de 10% pra mais de 90%, literalmente salvando a espécie da extinção. Saber disso muda completamente a experiência de visitar o lugar, porque você sabe que está apoiando algo muito maior do que apenas turismo.
- Dica importante: organize-se pra chegar no parque por volta das 8h da manhã. Os pandas recebem alimentação nesse horário e ficam bem mais ativos até por volta das 10h (comendo, brincando, se movimentando). A partir das 10h eles começam a se aninhar pra dormir e fica bem mais difícil ver toda aquela fofura em ação.

O parque é gigantesco e, sinceramente, não dá pra visitar tudo de uma única vez. Nós focamos nas áreas principais dos pandas gigantes e dos pandas vermelhos (que, na minha opinião, são tão ou mais fofos que os gigantes). Vimos pandas comendo, outros brincando, alguns já com aquela preguicinha pra dormir… foi uma experiência completamente apaixonante.
Kuanzhai Alley: a Chengdu tradicional
Depois do Panda Base, mudamos um pouco os planos originais e fomos pra Kuanzhai Alley, aproveitando o tempo bom que estava fazendo. Kuanzhai Alley é um conjunto de becos históricos da Dinastia Qing, com origens lá em 1718, que faziam parte da antiga cidade murada do exército Manchu em Chengdu. Foi totalmente restaurado nos anos 2000 e hoje é o cartão-postal da Chengdu tradicional: casas de chá centenárias, mahjong, casas de pátio com arquitetura clássica chinesa, restaurantes de Sichuan e lojinhas locais.




Aproveitamos pra almoçar nessa região e também passamos em uns barracas de rua próximos pra comprar nosso pandinha de recordação (bem mais barato do que os que estavam à venda dentro do Panda Base, fica a dica).
Cruzeiro noturno no Rio Jin
Esse foi um dos passeios que mais me marcou em Chengdu e é uma dica ainda pouco conhecida pelos brasileiros. Da região da Anshun Bridge, no Cais Dongmen, parte um mini cruzeiro pelo Rio Jin durante a noite (no mapa procure por “Cruzeiro noturno no Rio Jin (Cais Dongmen)” ou em chinês 夜游锦江). Os barcos saem a cada 30 minutos e o passeio custa cerca de R$ 80 por pessoa, valor que vale demais cada centavo.



Chengdu à noite fica linda: fachadas de prédios iluminadas em LED, pontes coloridas refletindo no rio e as margens totalmente decoradas com luzes. Eu amei demais essa experiência.
IFS Shopping e a vida noturna na Chunxi Road
Logo depois do cruzeiro, passeamos pela rua em frente ao Shopping IFS, famoso por uma escultura gigante de um panda que parece estar escalando a fachada do edifício (um dos pontos mais fotografados de Chengdu). Essa região é a melhor representação da Chengdu cosmopolita: lojas de luxo de 4 andares inteiras, marcas internacionais ocupando edifícios inteiros, telas gigantes em LED nas paredes dos prédios. É de tirar o fôlego.
Wenshu Monastery, People’s Park e Tianfu Square
No segundo dia completo, dividimos a manhã entre cultura e cotidiano da cidade. Começamos cedinho no Wenshu Monastery, um dos templos budistas mais conhecidos de Chengdu, com jardins, pavilhões tradicionais, salas de oração e aquela atmosfera tranquila que destoa do barulho urbano da cidade.

De lá fomos pro People’s Park, um lugar que merece atenção especial nesse roteiro. Não é um ponto turístico no sentido tradicional, mas é onde você vai ver a Chengdu de verdade: gente jogando cartas, dançando, fazendo tai chi, cantando em coro, famílias passeando, idosos jogando mahjong nas casas de chá. É a cara mais autêntica da cidade, e uma das experiências mais marcantes da viagem.
Passamos rapidamente também pela Tianfu Square, a praça central de Chengdu, onde fica uma imponente estátua de Mao Zedong de cerca de 30 metros de altura, concluída em 1968.
O SPA de luxo de 24 horas: experiência absurda!
Esse merece um destaque próprio, porque foi uma das experiências mais surreais que tivemos na China inteira: passar até 24 horas seguidas em um SPA de luxo dentro de um hotel 5 estrelas por menos de R$ 250. Sim, leu certo.



O valor foi de 298 yuan por pessoa, cerca de R$ 218, e lá dentro está incluído absolutamente tudo: piscinas, saunas, áreas de banho, comida e bebida liberadas o tempo todo, sala com PlayStation 5, cinema, salas de chá e descanso, camas pra dormir e até roupas, chinelos e itens de higiene de luxo. Alguns pontos importantes: o acesso é por até 24 horas seguidas, você pode sair e voltar uma única vez por até 3 horas, e massagens e alguns buffets são pagos à parte.

Não precisa nem fazer reserva: chegamos direto, fomos recebidos na porta do Didi e pagamos tudo só na saída. Sério, é aquele tipo de experiência que você não acredita até ver com os próprios olhos. No Guia Especial eu gravei um áudio com mais detalhes da nossa experiência.
Global Center, SPK e Jiaozi Ring
Quando saímos do SPA, um edifício chamou nossa atenção pelo tamanho gigantesco: o New Century Global Center. Pra quem não conhece, ele é considerado o maior prédio do mundo, mas atenção pra um detalhe importante: maior do mundo em área construída, não em altura. É aqui que ele se diferencia do Burj Khalifa, em Dubai, que é o prédio mais alto do mundo.

O Global Center tem 500m de comprimento, 400m de largura e 100m de altura, o equivalente em volume a 20 prédios da Ópera de Sydney ou 3 Pentágonos americanos. Dentro dele tem shopping, dois hotéis 5 estrelas, parque aquático com praia artificial, cinema IMAX de 14 telas e até uma pista de patinação no gelo olímpica.
Logo em frente fica o SPK, uma área que atrai muitas pessoas pelas torres coloridas inspiradas em bambu. As torres mudam de cor e rendem fotos e vídeos bem legais, mas é aquele tipo de lugar que, vendo uma vez, já está visto.




Daqui fomos pro Jiaozi Ring, uma passarela circular elevada com vista direta pras Tianfu Twin Towers (as torres gêmeas de Chengdu). Fique atento: por volta das 19h30 acontece um show de LED nas torres. Nós perdemos o show por pouco, mas as projeções nas fachadas dos prédios mesmo após o show já valem muito a pena.
E, acredite ou não, na nossa última noite resolvemos arriscar a vida noturna de Chengdu. A cidade é famosa pelas baladas, então fomos conhecer uma das mais badaladas. No Guia Especial eu gravei um áudio contando essa experiência: teve pontos positivos e outros nem tanto, hahaha. E foi assim que terminou a nossa estadia em Chengdu.
Hospedagem em Chengdu: Onde ficamos
Pra nossas 3 noites em Chengdu, fizemos a reserva pelo Trip e ficamos no Louis Hotel Chengdu.
Louis Hotel Chengdu
Quando entrei nas fotos da reserva, fiquei apaixonado: o quarto, a banheira e principalmente a vista pra cidade me conquistaram de cara. Quando chegamos no endereço do hotel, olhamos a entrada do prédio e já pensei: “onde eu vim parar?” A entrada não tem nada de futurista (é, sinceramente, até meio feia), e o térreo não dá nenhuma pista do que vem depois.


Esse foi o primeiro dos hotéis “futurísticos” da viagem, e eu escolhi ele exatamente por isso: queria ter uma experiência num desses hotéis modernos que ficaram famosos na China. A boa notícia é que existem MUITAS opções desse estilo pelo país e, ao contrário do que parece, os preços são bem atrativos – pagamos cerca de USD 232 pelas 3 noites, o que é um valor super justo pro padrão do hotel.
Aí você entende uma característica curiosa dos hotéis na China: muitos prédios abrigam vários hotéis e espaços comerciais diferentes, cada um ocupando alguns andares do edifício. No nosso caso, o Louis Hotel ocupava apenas 2 andares do prédio inteiro, e a recepção nem sequer fica no térreo.
Depois de entender essa lógica, aí sim ficou claro que tínhamos feito uma ótima escolha. A experiência foi excelente em todos os aspectos: atendimento atencioso, quarto muito confortável, banheira enorme e vista pra cidade que tinha me conquistado nas fotos.


Uma observação prática sobre a localização: as atrações de Chengdu não estão concentradas em uma única região, então a gente usava Didi pra praticamente tudo. Isso significa que acabamos não explorando muito as proximidades do hotel, mas isso não foi um problema, já que o deslocamento em Chengdu é super barato e rápido com Didi.
Saindo de Chengdu em direção a Chongqing
Saindo de Chengdu, a viagem de trem pra Chongqing foi tranquila e bem rápida: o nosso trem partiu às 10h20 da manhã e a viagem durou apenas 1h22 minutos. Esse foi um dos poucos trechos da viagem que conseguimos reservar a primeira classe (lembrando que acima da primeira classe ainda tem a Business).
Dica importante sobre as classes de trem na China: quando você reserva a segunda classe, as passagens são emitidas logo que ficam disponíveis (15 dias antes da viagem). Já a primeira classe e a Business são bem mais concorridas e nem sempre estão disponíveis assim que entram pra venda. Vale ficar de olho e tentar reservar com bastante antecedência pelo TRIP.
No Guia Especial eu gravei um áudio comentando como foi a nossa experiência com as reservas e as diferenças entre as classes.
Chongqing: a cidade 8D que parece de outro mundo
Chongqing pode ser, com toda a tranquilidade, a cidade mais louca que você vai conhecer na China. Megacidade no sudoeste do país, com mais de 30 milhões de habitantes na sua área metropolitana, (uma das maiores concentrações urbanas do mundo), Chongqing é conhecida por uma série de apelidos que dão pista do que esperar de lá: “cidade montanhosa” pela forma como foi construída sobre colinas e penhascos, “cidade mágica 8D” pela estrutura tridimensional caótica (onde uma rua pode estar no térreo de um prédio e ao mesmo tempo no 22º andar de outro) e “cyberpunk city” pela arquitetura futurista que parece saída de filme. Eu juro que essa cidade vai te surpreender.




A estação de Chongqing também fica afastada da região central, então conte com cerca de 40 minutos de Didi entre a estação e os hotéis no centro. O trânsito é caótico, então programe-se com antecedência pra não correr o risco de perder algum horário importante.
Em Chongqing nós ficamos 3 noites e foi um dos lugares mais intensos da viagem. A cidade tem tanta coisa pra ver e a logística é tão tridimensional que cada deslocamento vira praticamente uma aventura.
Principais experiências em Chongqing
Jiefangbei, Raffles City e a vista mais icônica da cidade
A nossa primeira saída em Chongqing foi pra Jiefangbei, uma das principais ruas de pedestres da cidade, marcada pela imponente torre do relógio do Monumento da Libertação. É uma rua gigantesca onde você encontra de tudo: lojas de luxo, lojinhas simples, restaurantes, comida de rua (e sempre, mas sempre, muita gente). Caminhando por ali, demos de cara com o Chongqing Art Museum, conhecido pelos locais como “Red Chopstick Building” porque a fachada parece milhares de varetas vermelhas empilhadas.


E falando em prédio emblemático, o cartão-postal arquitetônico de Chongqing é o complexo Raffles City Chongqing: 8 arranha-céus, sendo 4 deles conectados a 250m de altura por uma passarela horizontal chamada “The Crystal”, com 300m de comprimento e considerada o maior “arranha-céu horizontal do mundo”. Existe hotel dentro do complexo, mas, pra mim, a melhor opção é ter vista do conjunto, não estar dentro dele. Por isso eu amei a localização dos dois hotéis onde ficamos.
Hongya Cave: a Chongqing que parece desenho
Esse é um dos lugares mais impressionantes da cidade. O Hongya Cave (ou Hongyadong) é um complexo de palafitas tradicionais do estilo Bayu, com 11 andares e 75m de altura, construído lateralmente em um penhasco às margens do Rio Jialing.


Quando as luzes acendem ao anoitecer, o lugar parece saído do filme A Viagem de Chihiro. A história remonta a mais de 2.300 anos (era originalmente uma fortaleza e porto fluvial), mas o complexo atual foi totalmente reconstruído nos anos 2000.
- Dica importante: esteja preparado pra MUITA gente. Não existe um roteiro lá dentro, então a melhor dica que posso te dar é: siga a multidão pra descer até a parte de baixo do complexo. É de lá, do nível da rua na beira do rio, que você vai ter a vista mais incrível do Hongya Cave, e também uma linda vista das pontes iluminadas no outro lado do Rio Jialing.
Luohan Temple e Ciqikou Ancient Town
Saímos cedo no segundo dia em direção ao Luohan Temple, um templo budista com quase 1000 anos de história construído na Dinastia Song do Norte, entre 1064 e 1067. O contraste é o que faz desse lugar algo único: uma construção milenar preservada em meio aos arranha-céus modernos da cidade. A entrada custa cerca de 20 yuan e logo no início da visita você vê uma parede de pedra com mais de 400 esculturas budistas da própria Dinastia Song.




- Bem em frente ao templo tem um café especial pra começar o dia: o Wadingding, com café delicioso e vista direta pro Luohan Temple. Encontrar esse lugar não é nem um pouco fácil (GPS em Chongqing é praticamente impossível), mas pelas fotos a gente foi entendendo a vista e acertou o prédio. Link do café no AMAP
De Luohan Temple, fomos pra Ciqikou Ancient Town, uma região histórica com ruas estreitas em pedra, construções tradicionais, lojinhas de artesanato, comidas de rua e casas de chá. Vale super a pena conhecer, mas fica uma dica de logística importante: se você também for assistir ao espetáculo Chongqing 1949 (vou falar dele logo abaixo), faça os dois no mesmo dia. Ambos ficam exatamente no mesmo local e nós só percebemos isso depois.
O pôr do sol mais especial: “Churrasco do Velho Ding”
Esse foi um passeio de aventura que vale demais cada minuto. Vimos esse pôr do sol nas redes sociais e decidimos arriscar. No mapa, procure por “Churrasco do Velho Ding” (丁老头烤肉) Link do AMAP.




A questão é que o Didi não sobe até o local e você precisa subir o morro caminhando (longo e cansativo) ou pegar uma das motos que ficam na base (20 yuan por pessoa, motoqueiros bem insistentes que não falam inglês, mas pode confiar).
Depois do pôr do sol, descemos de moto até a Rua Velha de Longmenhao Aqui no mapa, com vista incrível pra ponte e pro skyline.

Atravessamos a ponte caminhando e seguimos a pé até o hotel. Foi uma das caminhadas mais especiais da viagem. No Guia Especial eu gravei um áudio com mais detalhes dessa experiência.
Chongqing 1949: show imperdível
Se eu pudesse destacar uma única experiência em Chongqing, seria essa. Compramos os ingressos pelo Trip aqui e posso garantir que foi um dos maiores acertos da viagem inteira.




É um espetáculo teatral imersivo com palco giratório, cenários gigantescos e uma produção absurda, com áudio de tradução pra inglês via fones de ouvido. Mas, mesmo sem entender uma palavra, só o visual já vale demais o ingresso. Pegamos o ingresso VIP da sessão das 15h, e foi uma ótima escolha: como a cidade fica mais vibrante à noite, fazer o show de tarde libera o final do dia pra explorar a Chongqing noturna.
Chongqing 8D: Liziba, Kuixing e Deyi World
Tem três pontos rápidos que valem ser mencionados (mas que não exigem muito tempo): a Liziba Station, a famosa estação de metrô que atravessa o meio de um prédio (viu uma vez, já está visto, não precisa gastar muito tempo).




A Torre Kuixing, aquela “praça que está ao mesmo tempo na altura dos carros e no 22º andar de um prédio”, um dos pontos que mais entrega a sensação tridimensional de Chongqing Link do AMAP; e o Deyi World, um prédio com muitos letreiros de neon que mescla a vibe antiga com a modernidade exagerada da cidade Aqui no mapa.
Hospedagem em Chongqing: Onde ficamos
Pra essas 3 noites em Chongqing, fizemos as reservas no Trip e dividimos a estadia em dois hotéis dentro do mesmo prédio. A localização era extremamente bem escolhida, com vista pro Raffles City Chongqing, embora o trânsito da região seja bem caótico.
Chongqing Indition High Altitude Hotel – Duplex absurdo
As primeiras 2 noites foram no Chongqing Indition High Altitude Hotel, em um quarto duplex absurdo: dois andares, banheira gigante, janelas com vista pra dois lados da cidade, daqueles quartos que parecem cenário de série de luxo. Foi o quarto mais caro de toda a viagem, cerca de US$ 300 por noite, mas considerando o tamanho, a estrutura e a localização, o valor foi totalmente justo.




Um detalhe que merece ser contado: quando chegamos no quarto, descobrimos que uma das banheiras (a maior) não estava aquecendo a água, e o hotel nos deu R$ 400 de reembolso. Eu tentei trocar de quarto e negociar mais, mas o hotel estava lotado e foi o que consegui.
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SEYA Panoramic Hotel Chongqing – O meu favorito
Pra última noite, mudamos para o SEYA Panoramic Hotel Chongqing Jiefangbei Raffles Plaza, no mesmo prédio. Sendo muito honesto, esse hotel me conquistou ainda mais que o primeiro. A diária ficou em torno de US$ 200, e o quarto tinha um padrão muito acima do anterior: conforto de outro nível, vista maravilhosa e detalhes que realmente impressionam.




- Importante: esse prédio tem vários hotéis do mesmo grupo, com nomes muito parecidos. Um deles oferece acesso a um SPA pros hóspedes (eu achei que tinha reservado esse, mas na verdade não). Se você quiser ficar em um quarto desse mesmo padrão e ainda ter direito a um SPA, o link da reserva é esse: SEYA com SPA.
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No Guia Especial Roteiro China eu gravei vários áudios sobre Chongqing: sobre a cidade, o passeio pro pôr do sol no Velho Ding e detalhes da nossa estadia nos dois hotéis.
Saindo de Chongqing em direção a Zhangjiajie
Como o nosso trem partia de Chongqing apenas na parte da tarde, aproveitamos a manhã pra fechar a experiência em Chongqing visitando a região da Praça Danzishi e da Praça do Relógio da Torre de Nanbin Road. Valeu a pena pela vista (é dali, inclusive, que rola um show de drones absolutamente incrível à noite), mas, sendo honesto, esse é o tipo de lugar pra ir à noite, não de dia. Foi mais um dos motivos pelos quais eu gostaria de ter ficado 4 ou 5 noites em Chongqing.
Nosso trem partiu da estação Chongqing East às 15h00 com destino a Zhangjiajiexi (Zhangjiajie West), uma viagem de cerca de 2h48. Chegamos por volta das 17h55.
Zhangjiajie: o parque que inspirou Avatar
Zhangjiajie pode ser, com toda a tranquilidade, o destino mais espetacular dessa viagem inteira. Localizada na província de Hunan, no centro da China, a cidade abriga o famoso Parque Nacional de Zhangjiajie, reconhecido mundialmente por ter inspirado os cenários de Pandora, do filme Avatar. James Cameron, diretor do filme, declarou publicamente que as paisagens flutuantes do mundo dos Na’vi tiveram como inspiração as colunas de arenito de Zhangjiajie, e uma das formações do parque chegou a ser oficialmente rebatizada de “Avatar Hallelujah Mountain” em 2010, em homenagem ao filme.


Onde se hospedar: Wulingyuan ou Zhangjiajie cidade?
Essa é, na minha opinião, uma das decisões mais importantes pra quem vai visitar Zhangjiajie e que pouca gente explica direito: onde se hospedar, na cidade de Zhangjiajie ou em Wulingyuan?
A questão é simples: o Parque Nacional fica em Wulingyuan, a cerca de 50 minutos de Didi da cidade de Zhangjiajie. Se você ficar hospedado na cidade, vai ter que enfrentar quase 2 horas de carro por dia entre ida e volta. Já se você ficar em Wulingyuan, você está colado na entrada do parque e ganha muito tempo de aproveitamento dos passeios.
A nossa estratégia foi dividir as 3 noites em dois hotéis em cidades diferentes: 2 noites em Wulingyuan (para visitar o Parque Nacional) e 1 noite na cidade de Zhangjiajie (perto da Tianmen Mountain, outra atração importante). E já adianto que dessa forma funcionou perfeitamente.
- Dica importante: muitos hotéis em Wulingyuan oferecem transfer grátis da estação de Zhangjiajie até o hotel. Vale pedir esse serviço já na hora da reserva. O nosso hotel ofereceu, então não precisamos pegar Didi nesse trecho.
Principais experiências em Zhangjiajie
O Parque Nacional de Zhangjiajie e o famoso Bailong Elevator
O Parque Nacional de Zhangjiajie é simplesmente espetacular. Declarado Patrimônio Mundial da UNESCO, o parque tem mais de 3.000 colunas de arenito que sobem do chão (algumas com mais de 200m de altura), formando aquela paisagem de “montanhas flutuantes” que ficou famosa no filme Avatar.



Existem duas rotas oficiais de acesso à área cênica de Yuanjiajie, que é a parte mais famosa do parque (onde fica a Hallelujah Mountain):
- Rota A: você sobe pegando ônibus interno + teleférico.
- Rota B: você sobe pegando ônibus interno + o famoso Bailong Elevator, reconhecido pelo Guinness Book como o elevador panorâmico ao ar livre mais alto do mundo. São 326m de altura subidos em pouco mais de 1 minuto e meio, direto na lateral de um penhasco. Uma experiência absurda.
O ingresso do parque é comprado pelo TRIP e vale por 4 dias, então o ideal é ter mais de um dia pra explorar e fazer as duas rotas. Nós usamos 2 dias completos no parque e dividimos da seguinte forma:
Dia 1 no parque: subida pela Rota B (Bailong Elevator)
Nosso plano era entrar no parque cedo, mas o clima não ajudou: choveu muito pela manhã e nós preferimos esperar. Acabamos entrando no parque por volta das 11h e escolhemos a Rota B, subindo pelo Bailong Elevator. A subida no elevador panorâmico é uma das experiências mais impressionantes da viagem inteira, quando o teto sai do paredão de pedra e abre a vista pra essas montanhas, é difícil de descrever em palavras.


Tivemos sorte que o clima melhorou bastante no decorrer da tarde e conseguimos ver com clareza as famosas montanhas que inspiraram os cenários de Avatar. Foi um dos momentos mais especiais de toda a viagem.
Como entramos mais tarde do que o planejado, acabamos voltando também pelo Bailong Elevator no fim do dia. A ideia original era descer pelo teleférico da Rota A, mas o tempo apertou.
Dia 2 no parque: subida pela Rota A (teleférico)
No segundo dia, acessamos o parque pela Rota A, que sobe pelo teleférico. Eu gostei muito da experiência do teleférico, é realmente bem impressionante a subida com vista pra todo o vale. Já lá em cima, nos mirantes, achei que ficou um pouco “mais do mesmo“.
Infelizmente, esse foi um dia em que o clima também não colaborou muito (o que pode acontecer em qualquer destino de natureza), e isso pode ter influenciado a minha opinião.
A minha recomendação: o que faria diferente
Sendo bem honesto sobre a nossa experiência: se eu pudesse fazer o roteiro de novo no parque, começaria pela Rota B (subindo pelo Bailong Elevator) e desceria pelo teleférico da Rota A no mesmo dia. Os mirantes mais bonitos estão concentrados na área da Rota B. A Rota A é legal pela experiência do teleférico, mas se você só tiver 1 dia disponível no parque, a Rota B sozinha já entrega o melhor de Zhangjiajie.
- Dica importante: o parque é gigante, com várias rotas de ônibus internos pra você não precisar caminhar tudo. O mapa é um pouco confuso, mas relaxa: você vai explorando e dá tudo certo. Tem várias opções de comida lá em cima (barraquinhas, restaurantes), então não precisa se preocupar com isso.
Compre aqui o ingresso antecipado: Parque Nacional de Zhangjiajie
Zhangjiajie Charming Xiangxi Show
Aproveitando a vantagem de estarmos hospedados em Wulingyuan, pesquisamos o que mais poderia ser feito na região, e foi assim que descobrimos o Zhangjiajie Charming Xiangxi Show, um grande espetáculo cultural que retrata os costumes e as tradições do povo Tujia e Miao, as etnias minoritárias mais importantes da região oeste de Hunan (Xiangxi). A produção tem direção do cineasta Feng Xiaogang (um dos mais respeitados da China) e acontece em um teatro grandioso.




A apresentação combina dança, canto, acrobacias e narrativas das tradições locais, incluindo cenas marcantes como o lamento tradicional da noiva Tujia, a dança do tambor Miao e até uma cena ousada que recria a antiga prática do “carregamento de corpos” do oeste de Hunan. Comprei o ingresso no Trip, escolhi o assento VIP A e foi uma escolha perfeita.
Tianmen Mountain e a famosa Porta do Céu
A Tianmen Mountain é outra montanha sagrada da região (não confunda com o Parque Nacional), localizada bem ao lado da cidade de Zhangjiajie, e abriga uma das formações geológicas mais impressionantes da China: a Tianmen Cave, ou “Porta do Céu”, um gigantesco arco natural de 131,5m de altura que atravessa a montanha. É um dos cartões-postais mais marcantes da China.

Os ingressos são comprados pelo Trip e a parte que mais confunde os viajantes é a escolha da rota. Foque nas duas principais:
Line A (Package A): você começa pegando o teleférico longo (um dos mais longos do mundo, com 7,4 km) que sai exatamente em frente ao Hampton by Hilton (onde nós ficamos). Esse teleférico parece não ter fim (mas tem!). Lá em cima você ainda pega outro teleférico menor (Express Cableway), depois os 999 degraus ou as escadas rolantes, mais escadas, e finalmente chega no topo, onde ficam as passarelas de vidro. A descida é feita por um trecho curto no Express Cableway e a maior parte em ônibus pela famosa estrada 99 Bends.
Line B: é praticamente a Line A invertida. Você sobe primeiro de ônibus pela estrada 99 Bends + Express Cableway, e desce pelo teleférico longo que termina em frente ao Hilton.
A diferença básica é só isso: na Line A o teleférico longo é no começo, na Line B é no final. Existe uma Line C que não inclui um dos teleféricos, então nem vale a pena considerar. No Guia Especial eu gravei um áudio detalhando melhor essa parte, que é a mais confusa pra quem está montando o roteiro.
Pra subir até as passarelas de vidro: na Tianmen tem cerca de 14 lances de escadas rolantes (eu contei mesmo!), o que dá uma noção da grandiosidade do passeio. A entrada nas passarelas de vidro tem um custo extra de cerca de 1 USD por pessoa.
Aviso sobre o clima: esse foi o pior dia da nossa viagem em questão de clima. A visibilidade na Porta do Céu era basicamente NULA, com névoa total e tudo encoberto. Como o ingresso já estava comprado, fizemos a visita do mesmo jeito, mas ficou aquela vontade de voltar. Em destinos de natureza, o clima é uma loteria, por isso, se puder, tenha alguma dia extra para ajustar o cronograma. A nossa visita foi assim…




72 Wonder Tower em Zhangjiajie
Na noite em que ficamos na cidade de Zhangjiajie (antes da Tianmen), conhecemos o 72 Wonder Tower, um complexo turístico com torre de observação, show noturno e área de gastronomia. A construção é bem interessante e os ingressos são acessíveis (pagamos cerca de US$ 12 por pessoa). Tem um show noturno que vale a visita (nós só não ficamos muito tempo porque estávamos extremamente cansados).
Acesse aqui para comprar o ingresso
Wulingyuan: a cidade que vai te conquistar
Wulingyuan, apesar de pequena, é uma cidade muito charmosa. Na primeira noite que ficamos por lá, mesmo cansados da viagem, demos uma volta pela cidade, passando pela ponte principal (o rio iluminado fica lindo). Por volta das 20h rola uma apresentação com água e luzes na beira do rio que deixa o cenário ainda mais especial.

Vale a pena caminhar e explorar com calma, só lembre que o dia seguinte é de muita caminhada no parque.
Hospedagem em Zhangjiajie: Onde ficamos
Primeiras 2 noites, em Wulingyuan
Aqui eu vou ser totalmente honesto com você: eu escolhi mal o hotel em Wulingyuan. O atendimento foi maravilhoso, as moças da recepção foram super atenciosas e nos ajudaram muito, mas o quarto tinha um cheiro forte de cigarro que não nos deixou dormir direito (a outra opção que ofereceram tinha cheiro de mofo). Fica o aprendizado: mesmo que o seu plano seja passar o dia todo fora do hotel, uma noite mal dormida pode estragar uma boa parte da sua viagem.
Os preços de hotéis em Wulingyuan são muito bons, é que eu acabei escolhendo um hotel ruim achando que não ficaria muito tempo no hotel e as fotos eram boas. Por isso, vou deixar aqui algumas opções que recomendo pra você não ter erro na viagem:
- Pullman Zhangjiajie (perto do Charming Xiangxi Grand Theatre)
- Zhangjiajie Wangyun Juzhusu (opção de bom custo-benefício)
- Atour Hotel (rede super confiável)
Terceira noite, já em Zhangjiajie: Hampton by Hilton
Pra noite que passamos na cidade de Zhangjiajie, ficamos no Hampton by Hilton, que tem uma localização absolutamente estratégica: está exatamente em frente à entrada da Tianmen Mountain Cableway, o que economiza tempo e elimina deslocamentos.
Hampton by Hilton Zhangjiajie
Hotel da rede Hilton, com qualidade conhecida. Quarto ampo, super confortável e na melhor localização para você visitar a Tianmen Mountain, e ainda tem lavanderia gratuita (útil pra quem está em viagem longa como a nossa). A lavanderia é grátis, mas você precisa ficar atento pro horário de pegar a roupa nas máquinas. O café da manhã é ótimo, vale a pena demais!


Acesse aqui para fazer a sua reserva
No Guia Especial eu gravei áudios sobre Zhangjiajie com as diferenças detalhadas entre as rotas do Parque Nacional e a explicação completa das rotas A e B da Tianmen Mountain. Também comentei mais sobre a escolha de passar 2 noites em Wulingyuan e apenas uma em Zhangjiajie.
Saindo de Zhangjiajie em direção a Furong
O trecho de Zhangjiajie até Furong, nossa próxima base, foi feito por trem de alta velocidade, e é uma viagem rápida. Da estação de Furong nós fomos até a área cênica com o transporte organizado pelo nosso hotel, o que facilitou demais a logística.
- Dica importante: muitos hotéis dentro da área cênica oferecem o serviço de transfer da estação até o hotel. Vale conferir isso na hora da reserva. O nosso hotel nos buscou na estação (e também nos levou de volta no final da estadia), foi maravilhoso.
Furong: a cidade antiga pendurada na cachoeira
Furong era um dos lugares que eu mais estava ansioso para conhecer na China. Depois de tantos vídeos vistos nas redes sociais, eu estava sonhando em chegar lá, e posso te dizer com toda a sinceridade: a Furong real é ainda mais linda do que aparece nos vídeos.

Furong tem mais de 2.000 anos de história. O nome original do vilarejo era Wangcun (“Vila do Rei”), mas, após o sucesso do filme chinês “Hibiscus Town” (Cidade Hibisco), dirigido por Xie Jin e lançado em 1986, a cidade foi rebatizada de Furong (que significa “hibisco” em chinês).
Em Furong uma cachoeira de cai literalmente pelo meio da cidade, e as construções com palafitas tradicionais diaojiaolou (arquitetura típica do povo Tujia) foram construídas no penhasco em volta. Mais de 80% da população local pertence à etnia Tujia.
Principais experiências em Furong
A área cênica: caminhada pelas ruas antigas e cachoeira
Em Furong não tem muito roteiro pra seguir. A graça da cidade está exatamente em caminhar sem pressa pelas ruas antigas de pedra, encontrar diferentes ângulos da cachoeira, passar pelas lojinhas, observar a arquitetura Tujia, e deixar o tempo passar.




Com o ingresso da área cênica, que é necessário mesmo quando você está hospedado lá dentro, você consegue passar literalmente por trás da cachoeira, em uma passagem que os locais chamam de “Caverna da Cortina de Água”.
Importante: o ingresso da área cênica geralmente não está incluído nas reservas de hotel. O nosso hotel nos ajudou na hora da compra assim que chegamos.
A vista do rooftop do hotel ao entardecer
Depois de fazer o check-in e descansar um pouco, fomos ao rooftop do nosso hotel pra acompanhar o pôr do sol e ver as luzes de Furong começarem a acender. Ficamos completamente apaixonados pelo lugar: é muito, muito mais lindo ao vivo do que qualquer foto ou vídeo consegue mostrar.




Nos organizamos para passear e depois voltar para o rooftop pra jantar à noite com a vista iluminada de Furong. Foi realmente mágico.
- Dica importante: Furong se destaca muito mais à noite que durante o dia. O dia tem charme, mas é à noite, com as luzes refletindo na cachoeira e nas palafitas, que a cidade revela toda a sua beleza.
Bate-volta para Fenghuang
Aqui eu preciso ser honesto com você: se eu pudesse refazer o roteiro da China, esse seria um dos pontos que eu mudaria sem pensar duas vezes.
A cidade de Fenghuang (que significa “Fênix” em chinês, daí o apelido “Phoenix Ancient Town”) foi construída em 1704, durante o reinado do imperador Kangxi, na Dinastia Qing. Localizada também no oeste de Hunan, às margens do Rio Tuojiang, Fenghuang é considerada por muitos como uma das cidades mais lindas da China.

Como a Furong se destaca mais à noite, decidimos aproveitar o segundo dia pra fazer um bate-volta a Fenghuang. A viagem de trem é bem rápida (cerca de 30 minutos, custando menos de 10 USD), o que torna a logística super fácil.
Acredite ou não, perdemos esse trem (juro). Numa distração com uma cadeira de massagem na estação (coisas que só acontecem na China haha), deixamos o trem partir. Por sorte, tinha outro trem logo na sequência e a moça da estação nos ajudou com outra passagem. Fica a lição: em estações chinesas, cadeira de massagem pode ser uma armadilha.
- Importante: diferente de todos os outros lugares por onde passamos na China, em Fenghuang o Didi é proibido. Nós tentamos pedir um carro de todas as formas e não deu certo, então tivemos que pegar transporte com os motoristas que abordam na porta da estação. Dá pra negociar com eles e funciona bem, pode ir tranquilo.
O nosso maior choque foi chegar em Fenghuang e ver como a cidade é realmente LINDA. Foi só pisar lá pra bater o arrependimento de não ter reservado pelo menos uma noite. Sem sombra de dúvidas eu trocaria uma noite de Wangxian Valley por Fenghuang.




Tivemos um dia maravilhoso em Fenghuang e eu me apaixonei pela cidade. Não tem muito como descrever o roteiro: caminhamos pelas ruas ao redor do rio, cruzamos a famosa Ponte Hong (também chamada de “Ponte do Arco-íris”), e ficamos admirando cada cantinho. Infelizmente não tivemos a chance de ver a cidade à noite, mas com certeza voltaríamos em outra oportunidade.
Última noite em Furong
De volta a Furong, aproveitamos a última noite pra passear mais e curtir o vilarejo com calma. Como a área cênica é pequena, acabamos revisitando alguns lugares por onde já tínhamos passado. Mas isso não tirou em nada a magia: Furong é um lugar lindo de verdade, e vê-lo várias vezes só reforça o quanto vale a pena.


Hospedagem em Furong: dentro da área cênica
A escolha do hotel fez uma diferença gigantesca na nossa experiência em Furong. Nós optamos por um hotel dentro da própria área cênica, o que economiza muito tempo e permite curtir Furong em qualquer horário (antes da abertura, no entardecer, à noite tarde).
Furong Town Flower Waterfall Bay Homestay
Apesar de não termos conseguido um quarto com vista direta pra cachoeira, o hotel Furong Town Flower Waterfall Bay Homestay tem um rooftop logo em cima do nosso quarto com uma das vistas mais lindas que já vi em uma viagem.


Outros pontos que pesaram positivamente:
- Transfer da estação até o hotel (e do hotel pra estação na volta).
- Ajuda na compra do ingresso da área cênica (que precisa ser comprado separadamente).
Acesse aqui para fazer a sua reserva
No Guia Especial eu gravei áudios sobre Furong: o porquê de escolher um hotel dentro da área cênica, a experiência em Fenghuang e a diferença para Wangxian Valley.
Saindo de Furong em direção a Yangshuo: um longo dia de trens
Essa foi a viagem mais complicada de toda a logística entre cidades. Não existe trem direto de Furong pra Yangshuo, então tivemos que fazer duas conexões. Como o sistema chinês de trens nem sempre permite comprar uma passagem única com várias conexões, eu comprei os três trechos separadamente, deixando uma margem de tempo de segurança entre cada um:
- Trem 1: Furongzhen → Hengyangdong. Saída 10h07, chegada 13h25.
- Trem 2: Hengyangdong → Guilin. Saída 13h48, chegada 16h27.
- Trem 3: Guilin → Yangshuo. Saída 17h06.
- Esse último trecho é curto e tem boa frequência de trens, então é a parte mais tranquila.
Da estação de Yangshuo, ainda pegamos um Didi de quase 1 hora até o hotel. Foi realmente um longo dia de viagem, mas rendeu boas lembranças e histórias pra contar. No Guia Especial eu gravei um áudio com dicas pra você que vai precisar fazer trens com conexão na China.
Yangshuo: a paisagem da nota de 20 yuan
Eu acho que não poderíamos ter escolhido um lugar melhor do que Yangshuo pra fechar esse roteiro. Localizada na província de Guangxi, no sul da China, Yangshuo é conhecida no mundo inteiro pelas suas paisagens cársticas espetaculares, com montanhas pontiagudas que sobem do chão ao longo do famoso Rio Li (Li Jiang). A cena é tão emblemática que está estampada no verso das notas de 20 yuan da China.

Principais experiências em Yangshuo
West Street: o coração noturno de Yangshuo
Logo na primeira noite, depois de jantar no hotel, decidimos sair pra conhecer o centro de Yangshuo. Pegamos um Didi e fomos pra West Street, a rua central e o coração pulsante da cidade.



Se você pensa que Yangshuo é um destino de natureza tranquilo, a West Street vai te provar o contrário. Pensa num lugar cheeeio! Uma multidão de pessoas, lojas, restaurantes, bares, casas noturnas, música ao vivo (e gente, muita, muita, muita gente). É o lugar certo pra conhecer a noite de Yangshuo, e isso vale pra todos os dias da semana. Vale caminhar, se perder pela rua principal e explorar as ruas paralelas.
- Dica de um restaurante diferente: na nossa segunda noite, fomos jantar em um restaurante bem em frente ao McDonald’s da West Street, um lugar com o letreiro “Rock N Grill Cafe’ & Pizza House” (no AMAP ele aparece como “Restaurante de Música Asiática”). É um achado pra quem quer comer algo diferente da culinária chinesa: tem carnes, massas, um menu grande. Pedi um Pad Thai e uma cerveja local, estava delicioso.
Passeio de barco de bambu pelo Rio Li
Esse é o passeio mais clássico de Yangshuo. As tradicionais jangadas de bambu descem o Rio Li atravessando a paisagem cárstica que ficou famosa no mundo todo, com aquelas montanhas pontiagudas se refletindo na água.




Existem várias docas ao longo do Rio Li, cada uma com um trecho de paisagem diferente. Nós marcamos no AMAP a Ponte Fuli (Fuli Bridge) e fomos até lá de Didi.
Dica importante: na Ponte Fuli existem duas bilheterias, uma pros barcos de 3 ou mais pessoas e outra pros barcos de até 2 pessoas. Apesar de estarmos em 2, eu preferi pagar o ingresso do barco maior porque ele estava indo na direção da paisagem que eu mais queria fotografar. A diferença de preço não foi grande, e o passeio foi lindo. No Guia Especial eu gravei um áudio com mais detalhes sobre essa experiência.
A melhor decisão em Yangshuo: alugar moto elétrica
Aqui eu preciso fazer um destaque grande: alugar uma moto elétrica em Yangshuo foi simplesmente a melhor decisão da nossa estadia. Eu adianto desde já: se você puder fazer isso logo no primeiro dia, pegue uma moto elétrica e use ela pra explorar a região.

Como funciona: existem vários pontos de aluguel espalhados pela cidade, e pra alugar não é preciso apresentar nenhum tipo de documento ou carteira de motorista. Pagamos cerca de 30 yuan (R$ 20) pelo dia inteiro no primeiro aluguel que fizemos na cidade. No segundo dia, alugamos diretamente no hotel (40 yuan, com devolução até as 22h, o que foi perfeito pra fechar o dia com o show).
- Dica importante: alguns hotéis têm motos pra alugar ou lojas próximas que facilitam a devolução, o que evita aquele Didi extra pra devolver e voltar pro hotel.
Ten Miles Gallery
Sem ter nada planejado pra primeira tarde com a moto, usamos o AMAP como GPS e fomos pra uma região chamada Ten Miles Gallery (Galeria de Dez Milhas), que fica relativamente perto do centro. Apesar de parecer uma loucura dirigir por lá no primeiro contato, basta ter cuidado e atenção que vai funcionar perfeitamente.




A região é absurdamente linda: uma rua principal forma um circuito completo e, ao longo dela (especialmente próximo do rio), você consegue entrar em ruas menores que passam ao lado das plantações tradicionais e do próprio Rio Yulong, sempre cercado pelas montanhas cársticas. No fim foi um passeio lindíssimo e que aproveitamos muito.
Golden Dragon Parade: o desfile do dragão dourado
Esse foi um dos momentos mais especiais e impressionantes da viagem. A Golden Dragon Parade é um espetáculo noturno no Rio Yulong, que acontece no Yulong Bridge Pier. A peça central é um dragão dourado iluminado, formado por jangadas de bambu interligadas.




Tivemos a super sorte de descobrir que iria acontecer no sábado em que estávamos lá. O espetáculo não acontece todos os dias, nem todos os sábados, e o calendário muda a cada mês. Em maio de 2026, por exemplo, as datas definidas são: 1, 2, 3, 4, 5, 22, 23, 29 e 30, sempre com uma única apresentação por dia, às 19h20.
Pra assistir você tem duas opções:
- Da própria Yulong Bridge: você precisa comprar ingresso e vale chegar cedo, porque enche muito.
- Dentro do rio, nas próprias jangadas de bambu: o valor varia conforme a posição, quanto mais perto da cabeça do dragão, mais caro. Normalmente o seu hotel ou uma agência local consegue te ajudar com a reserva.
Onde ver a programação atualizada (importante): o cronograma do mês precisa ser consultado em um Mini Programa dentro do WeChat, que não abre por navegador comum ou por links de fora. Pra acessar, copie o código abaixo e envie pra você mesmo no WeChat ou para alguém que vai viajar com você, depois é só tocar nele:
#小程序://桂之旅/SuH9GPQ4DOdnXFt
No canto superior direito do Mini Programa tem três pontinhos onde você pode ativar a tradução automática.
Como chegar: abra o Didi e coloque o destino como “Ponte do Encontro do Dragão” (em chinês: 遇龙桥).
- Uma curiosidade: eu levei o drone pra registrar o espetáculo e nunca tinha visto tantos drones voando ao mesmo tempo. Facilmente mais de 300 drones no céu de uma vez só. Era um negócio surreal, mas valeu demais a pena.
No Guia Especial eu gravei um audio falando exatamente como foi a experiência de voar drone na China e também dicas para você que pretende comprar um drone na viagem.
Segundo passeio de barco: nas pequenas quedas d’água
No último dia em Yangshuo, mesmo já tendo feito o passeio na Ponte Fuli, quisemos fazer um segundo passeio em outra rota, no barco para 2 pessoas que passa por pequenas quedas d’água ao longo do trajeto (bem pequenas mesmo, não espere nada de aventura). O pessoal do hotel indicou um lugar lindo, mas o passeio foi um pouco salgado: pagamos 300 yuan, mesmo querendo o barco de 2 pessoas.

- Atenção pra essa regra prática: o limite de peso por barco de 2 pessoas é 160 kg no total. Como eu e o Diogo juntos passávamos disso, fomos obrigados a pegar o barco de 3 pessoas (daí o preço maior).
Local do passeio: o nome do embarque no AMAP é Lansheng Bridge Wharf. No Guia Especial eu gravei um áudio com mais detalhes desse segundo passeio e a diferença para o primeiro.
Cafés e lugares de Yangshuo
A região de Yangshuo é cheia de cafés escondidos com vistas incríveis que valem a visita.
Yangshuo Yantu Xiaoyuan Coffee Lvpai: café às margens do rio que vimos durante o segundo passeio de barco e decidimos procurar depois.


O lugar é lindo: jardim maravilhoso, vista lindíssima, café e doces ótimos. Difícil encontrar sem GPS, mas vale demais a busca.
- Sob a Gardênia (栀子花下): outra parada que gostamos. Tomamos um chá gostoso com vista pras plantações e pras montanhas cársticas.
Impression Sanjie Liu: o espetáculo que fecha a viagem com chave de ouro
Na nossa última noite em Yangshuo, fomos assistir ao Impression Sanjie Liu, um dos espetáculos mais impressionantes da China.

O show foi idealizado e dirigido por Zhang Yimou, o mesmo cineasta que dirigiu a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim 2008. Zhang Yimou é considerado um dos maiores diretores de cinema do mundo, e o Impression Sanjie Liu, que estreou em 2004, foi o primeiro de uma série de espetáculos da franquia “Impression”. A produção é baseada na lenda de Liu Sanjie (“Terceira Irmã Liu”), uma figura folclórica da etnia Zhuang da Dinastia Tang (618 a 907), conhecida por sua voz e por seus cantos.
Os números do show são absurdos: mais de 600 artistas em cena, incluindo moradores locais (pescadores, agricultores e crianças das aldeias ao redor), dezenas de jangadas de bambu, luzes refletindo no Rio Li e as próprias montanhas de Yangshuo iluminadas como cenário. O palco natural usa as montanhas cársticas ao longo do Rio Li, o que faz dele um dos maiores “teatros naturais” do mundo. Não parece um show, parece uma despedida preparada pra fechar essa viagem com chave de ouro.




Depois de tantos dias atravessando o país, vivendo lugares que eu nunca imaginei ver de perto, encerrar a viagem aqui foi muito simbólico. Foi como se Yangshuo tivesse preparado uma despedida em grande escala, daquelas que você assiste em êxtase, tentando guardar cada detalhe na memória.
- Dica importante: se programe pra chegar cedo, porque o local fica muito cheio. Tem muitos ônibus, muita gente chegando ao mesmo tempo e o trânsito pode complicar. Como estávamos com a moto elétrica alugada pelo hotel, foi bem tranquilo pra gente (fomos direto e só pagamos o estacionamento). Se for de Didi, já vai sabendo que pode pegar trânsito tanto pra chegar quanto pra sair do show.
- Sobre os ingressos: nós compramos pelo TRIP alguns dias antes e escolhemos o setor VIP B1. Pra gente foi perfeito, eu ficaria nesse setor de novo.
Acesse aqui para comprar o ingresso.
Não teria forma mais bonita e especial de fechar essa viagem. A China surpreendeu a gente todos os dias, mas esse final foi especial. Um daqueles momentos em que a viagem termina, mas alguma coisa fica pra sempre com você.
Hospedagem em Yangshuo: dois hotéis afastados do centro
Em Yangshuo nós ficamos por 3 noites e dividimos a estadia em 2 hotéis. O primeiro era um quarto que estava na minha lista de sonhos pra essa viagem, e pro segundo eu tentei encontrar algo na mesma região e acertamos demais. Os dois ficam afastados do centro (cerca de 10 minutos de carro ou moto).
- Ponto positivo: a vista é absurdamente mais bonita que a de qualquer hotel no centro, porque você fica cercado pelas montanhas cársticas e plantações.
- Ponto negativo: você precisa pegar um Didi ou usar moto elétrica pra ir até a West Street e o centro.
Pra gente, valeu cada minuto desse deslocamento pois os hotéis são ótimos!
LS Hotel: o quarto dos sonhos
Esse foi o primeiro hotel e fiquei muito impactado com o quarto logo ao chegar. No LS Hotel é basicamente um quarto por andar. Nós ficamos em um quarto no primeiro andar, tendo apenas o quarto do térreo abaixo de nós.


O quarto é simplesmente absurdo: cama redonda que gira, banheira no quarto, uma janela imensa com vista pras montanhas cársticas, tudo pensado pra você nem querer sair do hotel. Recomendação importante: se puder, tente reservar um quarto em um andar mais alto pra ter uma vista mais limpa.
Acesse aqui para fazer a sua reserva no LS Hotel
Yangshuo Zengarden Countryside Resort
No último dia completo da viagem, fizemos o checkout do LS Hotel e fomos pra um hotel a menos de 5 minutos dele, o Yangshuo Zengarden Countryside Resort. Eu amei a estadia nesse hotel: quarto excelente, varanda com vista pras montanhas, café da manhã muito gostoso e aquela mesma vibe de localização privilegiada, ainda afastado do centro como o hotel anterior.




Outro ponto excelente: o próprio hotel aluga as motos elétricas (40 yuan por dia, com devolução até as 22h), o que facilita demais a logística do passeio.
No Guia Especial Roteiro China eu gravei vários áudios sobre Yangshuo: o passeio de barco de bambu pela Ponte Fuli, a experiência absurda da Golden Dragon Parade, a aventura de alugar moto elétrica e dirigir pela Ten Miles Gallery, o segundo passeio de barco no Lansheng Bridge Wharf, e a experiência completa do Impression Sanjie Liu.
Saindo de Yangshuo em direção a Hong Kong
Como não existe trem direto de Yangshuo para Hong Kong, nós saímos de Yangshuo de trem com destino a Guangzhounan (estação ao sul de Guangzhou), e de lá fizemos a conexão pra Hong Kong:
- Trem 1: Yangshuo → Guangzhounan. Saída 11h25, chegada 13h19.
- Trem 2: Guangzhounan → Hong Kong. Saída 13h43, chegada 14h37.
- Nesse segundo trecho conseguimos virar pra classe Business, o que foi uma experiência muito legal e tranquila pra fechar a parte chinesa da viagem.
Importante: ao chegar em Hong Kong, você precisa fazer todo o processo de imigração, controle de passaporte e tudo mais antes de oficialmente entrar na cidade. Mesmo Hong Kong sendo parte da China, funciona como uma Região Administrativa Especial (SAR) com sistema próprio.
Hong Kong: a despedida não planejada da China
Nosso plano original era passar 3 dias em Hong Kong antes de voltar pro Brasil, mas, por conta da escalada do conflito no Oriente Médio, o nosso voo de volta com escala no Qatar foi cancelado. Sem muito tempo pra reorganizar, decidimos comprar um voo novo partindo do Japão (sim, voltamos pra Tóquio sem ter planejado!).

Compramos uma passagem de Hong Kong pra Tóquio, bem mais barata do que imaginávamos, e ficamos apenas 1 noite em Hong Kong antes de seguir pro Japão por mais 2 dias e finalmente voltar pro Brasil.
Principais experiências em Hong Kong
Com apenas uma tarde e uma noite na cidade, fizemos um roteiro enxuto, mas que rendeu bastante:
Cruzeiro pela baía com show de drones
Fizemos um pequeno cruzeiro pelo Victoria Harbour, que é uma ótima forma de ter uma vista linda da cidade e dos prédios modernos. Depois do barco ainda conseguimos aproveitar um show de drones lindo no céu e o famoso “Symphony of Lights”, o show de LEDs nos prédios da cidade. Sendo honesto: o show de drones foi muito mais impressionante que o show de LEDs, que ficou um pouco aquém do que eu esperava.
Temple Street Night Market
Depois do cruzeiro, fomos pro Temple Street Night Market, um dos mercados noturnos mais famosos de Hong Kong. Tem comidas gostosas, barraquinhas de rua, lojas pra comprar o que faltou na viagem, e é o tipo de programa que vale demais pra uma noite curta como a nossa.

Hospedagem: YMCA Hong Kong
Ficamos hospedados no Hotel YMCA, que fica bem ao lado de um dos hotéis mais luxuosos da cidade (o histórico The Peninsula). Demos muita sorte de conseguir esse hotel por um preço excelente pros padrões de Hong Kong, que normalmente são salgados. Hotel excelente numa localização super privilegiada.
Express Train: como sair de Hong Kong com agilidade absurda
Esse é um detalhe que merece um destaque pra quem vai passar por Hong Kong. Pegamos o Airport Express Train pra ir ao aeroporto, e fiquei impressionado com a agilidade do sistema: é possível despachar as malas e fazer o check-in direto na própria estação de trem. Fomos pro trem só com a mala de mão, o que é prático demais quando você tem voo internacional.
Acesse para comprar o Express Train
Roteiro China: uma viagem dos sonhos
E assim terminamos o nosso roteiro de viagem na China. Quase 1 mês inteiro viajando e vivendo uma das melhores experiências da nossa vida de viajantes.
A China nos surpreendeu em todos os sentidos. Amamos cada dia dessa viagem, cada dificuldade valeu a pena, aprendemos muito e realmente crescemos como pessoas com tudo o que vivemos por lá. Esqueça tudo o que você já ouviu sobre a China por quem nunca foi pra lá de verdade. A China é um país incrível pra você conhecer, pra ser recebido (eles adoram saber que somos brasileiros!), pra experimentar uma cultura completamente diferente da nossa, com uma infraestrutura turística que te surpreende em cada cidade.




É difícil chegar no final desse roteiro e não sentir um aperto no peito de saudade de tudo que vivemos. Com certeza é um destino pro qual nós vamos voltar mais vezes, tanto pra conhecer mais a fundo os lugares onde já passamos quanto pra explorar outras partes desse país gigante. Pra China, não foi uma despedida, apenas um até breve 再见.
No Guia Especial Roteiro China eu gravei um áudio final comentando as nossas impresões sobre a viagem e o que mais nos marcou ao longo desse mês. Foi realmente uma viagem que nos transformou.
Consultoria para a sua viagem na China
Eu fiz esse roteiro com o máximo de detalhes e também criei um produto novo pra essa viagem: o Guia Especial Roteiro China onde você encontra esse mesmo roteiro porém com detalhes a mais, dicas extras e áudios meus comentando várias partes da viagem. Tudo pra deixar a sua preparação ainda mais pessoal e personalizada.


Mesmo assim, eu sei que essa é uma viagem difícil de organizar e que gera muitas dúvidas ao longo do planejamento. Eu já recebi muitos pedidos pra oferecer uma consultoria de viagem pra vários destinos que já conheci, e agora, depois de ter realizado esse roteiro que organizamos detalhe por detalhe, decidi abrir essa possibilidade.
A ideia da consultoria é simples: te ajudar a definir o melhor roteiro pra sua viagem, alinhar pontos onde você esteja com dificuldade, tirar dúvidas sobre as experiências no destino, tudo pra você viajar pra China com muito mais segurança e tranquilidade.
Então, se você quer fazer um roteiro parecido com o nosso ou pretende conhecer algumas das cidades que visitamos e está inseguro com o planejamento, essa consultoria pode te ajudar muito. Eu não vou conseguir te atender com a mesma profundidade caso o seu roteiro envolva regiões da China que eu não conheço pessoalmente, mas posso te ajudar com informações práticas e questões mais gerais sobre o destino. O que eu posso garantir é que vou fazer o máximo pra esclarecer todas as suas dúvidas.
Formato e valor da consultoria
- Modalidade: consultoria online, via vídeo chamada pelo Zoom.
- Duração: aproximadamente entre 1 hora e 1 hora e meia, onde vamos conversar com calma, tirar todas as suas dúvidas, eu vou dar sugestões pra melhorar o seu roteiro e destacar os pontos mais importantes pra sua viagem.
- Gravação: eu vou gravar a consultoria e te envio o vídeo depois, pra você poder rever sempre que precisar.
- Valor: R$ 490.
Como solicitar a consultoria
Você pode solicitar uma data pelo formulário abaixo. Como o meu trabalho envolve viajar bastante, pode acontecer de eu estar em alguma viagem no momento da sua solicitação, e então vamos encontrar juntos uma data que funcione pra nós dois. Por isso, eu peço que você tente solicitar a consultoria com uma boa antecedência, pra gente se organizar com calma.
Importante: é fundamental você já ter uma base do seu roteiro desenhada, assim eu consigo te ajudar em cima de algo concreto.
Em breve eu vou abrir consultorias pra outros destinos, mas, nesse momento, a China é o único destino que estou oferecendo essa possibilidade.
Quando viajamos e qual é a melhor época pra ir pra China
Nós fizemos essa viagem entre os meses de março e abril, ou seja, durante a primavera chinesa. Sendo bem honesto sobre a nossa experiência: tivemos alguns dias de chuva ao longo do roteiro (especialmente em Zhangjiajie e durante a Tianmen Mountain, como contei mais acima), mas, no geral, a época foi muito boa pra atravessar essa rota tão extensa.




Um detalhe importante que vale destacar: nós sentimos um contraste enorme de temperaturas entre o começo e o final da viagem. Em Pequim, no início do roteiro, pegamos um frio razoável (jaqueta era item obrigatório no dia a dia), e quando chegamos em Yangshuo, no final, já era calor pra valer. Vou explicar abaixo por que isso acontece e como planejar a sua época de viagem.
As melhores épocas pra visitar a China
A China é um país gigante, com 5 zonas climáticas diferentes, então qualquer recomendação geral precisa levar em conta a região que você vai visitar. Pra um roteiro abrangente como o nosso, que atravessa norte, centro e sul do país, as duas melhores épocas são:
Primavera (entre março e maio): a época em que fizemos a nossa viagem. Temperaturas vão se aquecendo gradualmente, florações por toda parte (a canola amarela em Huang Ling, por exemplo, acontece exatamente nesse período), e cidades como Pequim e Xangai ficam particularmente bonitas com as flores das árvores. Pode ter chuvas ocasionais, especialmente em abril e maio no sul.
Outono (entre setembro e novembro): considerada por muitos viajantes como a época absolutamente ideal pra China. Clima ameno, céu mais limpo (menos neblina e poluição), folhagens douradas em destinos como o Parque Nacional de Zhangjiajie, e muito menos chuva que na primavera.
As épocas que vale considerar com cuidado
Verão (junho a agosto): pode ser intenso em boa parte da China. Temperaturas que ultrapassam 35°C facilmente. Chongqing atinge picos próximos de 40°C, umidade alta e a temporada de monções traz chuvas pesadas no sul. Yangshuo e o Rio Li, por exemplo, podem ter o passeio nos barcos prejudicado por enchentes.
Inverno (dezembro a fevereiro): Pequim e o norte da China podem registrar temperaturas abaixo de zero, com possibilidade de neve. O sul (Yangshuo, Hong Kong) fica mais ameno, mas ainda assim frio pros nossos padrões brasileiros. A vantagem é que tem muito menos turistas, e os preços de hotéis e voos costumam ser bem mais baixos.
Se eu pudesse refazer essa viagem, eu sinceramente faria entre setembro e outubro, principalmente pela maior estabilidade climática em destinos sensíveis como Zhangjiajie. Dito isso, a primavera funcionou muito bem pra gente e tem o bônus absurdo da florada da canola em Huang Ling, que é uma das paisagens mais marcantes de todo o roteiro.
Dicas de Viagem para a China
E é isso! Nesse post você tem a nossa base completa da viagem: todos os hotéis onde ficamos, os trechos de trem que pegamos, as dicas que aprendemos no caminho e as experiências pessoais que vivemos. Eu espero, de verdade, que esse conteúdo te ajude na organização da sua viagem, que dê um pouco de luz no seu roteiro pra China (eu sei bem como é difícil organizar essa viagem), e que você realize uma das melhores viagens da sua vida.

Se eu posso te pedir algo, é bem simples: use os links do blog pra fazer as suas reservas no Trip, comprar seus trens, ingressos, hotéis, ou mesmo contratar o seu seguro viagem com a Assist 365. Tudo o que eu compartilhei aqui foi da forma mais honesta e transparente possível. Quando você utiliza os links do blog, você contribui diretamente com o meu trabalho, sem gastar nada a mais com isso. Eu te agradeço demais por essa força.
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Salve o roteiro no Pinterest
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Aproveita também pra me seguir no @umviajante e acompanhar as nossas viagens em tempo real (eu posto bastante coisa por lá, especialmente em destinos como a China).
Se você tiver qualquer dúvida sobre o nosso roteiro na China ou quiser compartilhar a sua experiência de viagem, fique à vontade pra comentar aqui embaixo no post. Eu respondo todo mundo e os comentários sempre ajudam outros viajantes que estão pesquisando sobre o destino.


