Diário de confinamento: mais do que nunca, é preciso filtrar, dosar e não se cobrar

Quinta-feira, 2 de abril de 2020. Novamente, a noite passou mais rápido do que eu gostaria. Pela janela do quarto, as luzes dos primeiros raios de sol já me convencem de que tentar dormir um pouco mais não será uma opção.

Tento me levantar em silêncio, enquanto a Moka se espreguiça e se enrola para dormir por mais um tempinho. No espelho do banheiro, vejo que dois meses sem cortar o cabelo já estão além do limite do aceitável.

Colocar água no fogo para fazer café, enquanto lavo a louça que ficou para trás, se tornou um ritual diário. Às vezes em silêncio, perdido nos pensamentos do que vem pela frente, e outras, ao som de alguma música que traz boas lembranças: Norah Jones, por exemplo, sempre me remete a Nova York e faz o clima parecer mais leve.

Diário de Confinamento - Coronavírus - O que fazer em casa

O aroma de café fresquinho se espalha pela casa enquanto a Moka aparece pedindo para sair: é hora das necessidades e de pegar um pouquinho do sol da manhã.

Não nego que hoje, mais do que nunca, gostaria de ter a mesma noção de realidade que ela tem: hora do carinho, do cochilo, de passear e, claro, a mais esperada, hora da comida.

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Eu e o Diogo nos sentamos para tomar café juntos. Sempre gostamos de assistir ao jornal da manhã e ver um pouco de Ana Maria, confesso. Tenho uma profunda admiração pela história dela.

Hoje, porém, assistir ao noticiário é como jogar um balde cheio de gelo na cabeça de qualquer pessoa. Seria mais fácil desligar e tentar pensar que nada está acontecendo – e não julgo quem prefere seguir nessa linha.

Infelizmente, para mim, apenas fechar os olhos e ignorar a situação não é uma realidade. A vida precisa seguir, as contas vão chegar e uma hora a água vai bater na bunda… mas quem diz que é fácil?

Desde que voltei da Ásia, sento na frente do computador, abro um documento em branco e simplesmente não consigo escrever mais do que um parágrafo.

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É fato que estamos passando por uma das situações mais complicadas e sérias da atualidade. A vida de milhões de pessoas ao redor do mundo está sendo atingida, nesse exato momento, pela pandemia de Covid-19, o coronavírus.

Nas redes sociais, uma parte das pessoas se alimenta de esperança, repostando fotos antigas; outra agradece a pandemia (oi?) pela oportunidade de olhar para dentro (?); tem ainda quem mostre sua força de vontade em manter os treinos de musculação (#forçaguerreiros); sem falar, obviamente, nos que continuam se digladiando por conta de política (#ForaBosonaro #ForaPT #ForaTodoMundo).

As lives nunca foram tão presentes. A necessidade de falar e se conectar, de uma forma ainda mais imediata, se tornou um escape para quem tenta lidar com o isolamento social.

Confesso que na mesma velocidade em que entro em uma live, acabo saindo. Rolar o feed nunca foi tão rápido e as postagens nunca foram tão vazias. Quantas vezes um post perguntando o que você vai fazer quando a quarentena acabar já passou pela sua timeline?

Diário de confinamento: mais do que nunca, é preciso filtrar, dosar e não se cobrar

Ainda com o celular na mão, sem dar mais atenção ao telejornal, que tal ver o que anda acontecendo nos grupos de WhatsApp… Pelo menos, em alguns deles, temos pessoas que realmente conhecem a nossa realidade… certo? Não exatamente…

Nesse momento, muitas pessoas estão perdendo a noção do que é invadir a vida de alguém e julgam atitudes vistas apenas pela tela do celular. Quantos realmente nos conhecem de verdade para julgar ou criticar alguma atitude?

Sair de grupos e afastar pessoas que não somam em nada nunca foi tão fácil. Eu penso, de verdade, que os que realmente são importantes vão se fazer presentes de outras maneiras. Existem distâncias que só fazem bem, pelo menos é isso que prefiro pensar agora.

As horas passam e eu sigo, por mais um dia, com a tela em branco.

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Filtrar, dosar e não se cobrar

Sexta-feira, 3 de abril de 2020. O décimo sexto dia da quarentena começou da mesma forma: cheiro de café pela casa e Norah Jones criando a trilha sonora perfeita para uma manhã um pouco mais fria. Dessa vez, porém, a tela não ficou em branco…. Não porque eu me cobrei em realmente ter que escrever, mas por simplesmente não me cobrar.

Escrever esse post me fez pensar em como esses três pontos podem fazer a diferença nesse período de distanciamento.

Filtrar…

E não digo apenas em filtrar informações, notícias e conteúdos… mas também em filtrar pessoas, atitudes. Separar realmente o que faz bem nesse momento do que é simplesmente superficial ou não está somando.

Tenho uma amiga que decidiu encher o Facebook com vídeos de animais engraçados, o que é, sim, uma forma de escape. Eu, confesso, prefiro rir com ela do que me estressar com as pessoas que só pensam em destilar ódio ou mensagens sem qualquer fundamento.

Dosar…

Penso que evitar os extremos sempre foi um bom caminho, mesmo antes da pandemia. Ficar bem informado é importante, sim, porém ficar ligado nas notícias o tempo todo só vai nos consumir além do necessário.

Ninguém precisa assistir ao jornal da manhã, do almoço, da tarde e da noite, em um mesmo dia. Além de ser repetitivo, é desgastante para a cabeça de qualquer pessoa.

As pessoas nunca ficaram tão distantes e tão conectadas ao mesmo tempo. Se por um lado a tecnologia nos conforta, já que nesse momento podemos ver e falar com quem está longe, por outro lado ela também pode nos sugar e desestabilizar sem qualquer limite.

Não se cobrar…

Por fim, a autocobrança. Nem sempre temos que estar prontos para fazer limonadas com os limões que a vida nos dá. Absolutamente ninguém tem que ser forte o tempo todo, ser produtivo o tempo todo e ter algo para falar o tempo todo.

A realidade é que ninguém estava pronto que passar por essa situação. Não sei qual é a sua realidade e como você conseguiu tempo para ler esse diário de quarentena. Não sei como está a sua vida financeira hoje e nem a preocupação que te aflige sobre as contas que vão chegar.

Frases inspiradoras, que eu mesmo já postei, nunca foram tão banais quanto agora. Atitudes são, sim, muito importantes. A vida não vai se resolver se você se afundar no sofá.

Mas, de verdade, você não precisa se cobrar por não estar sendo mega produtivo, por não estar fazendo 250 cursos, aprendendo 5 novos idiomas ou por não estar na vida fitness que algumas pessoas estão postando no Instagram.

Se você nunca fez yoga, nunca meditou ou nunca ativou seus chakras, provavelmente isso não vai acontecer agora. E você não precisa se cobrar ou se sentir mal por isso.

O importante, agora, é levar um dia de cada vez e da maneira que for melhor para você. Não vou dizer aqui que será fácil, pois não será. Mas, se for de uma forma leve, pode ter certeza de que será melhor.

Diário de confinamento: mais do que nunca, é preciso filtrar, dosar e não se cobrar

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About The Author

Robson Franzói é um jovem de Curitiba que tenta inspirar outros viajantes a explorarem diferentes lugares do mundo. Decidiu correr atrás dos seus sonhos e hoje vive desse blog, seu projeto mais especial. Apaixonado por fotografia e vídeos, o garoto vive para compartilhar suas experiências e dicas dos lugares que conhece. Suas fotos já estão ficando conhecidas e seus vídeos inspiram muitos viajantes. Aproveite e acompanhe o Instagram e também o Canal Um Viajante.

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